Opinião

Vamos continuar indiferentes?

22 jul 2017 00:00
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J. Amado da Silva

Meu Caro Zé, nem sei por onde começar.

É que a confusão de irresponsabilidade, mentira, falta de ética, para não falar das denominadas “fake news”, crescentemente produzidas pelas novas tecnologias, com uma velocidade inaudita e lançadas como verdades e propagadas como tal sem qualquer escrutínio, obscurecem qualquer raciocínio.

Pensarás que estou a descrever a atual situação em Portugal. Terás razão, mas só em parte, porque isto é quase universal, evidenciando uma grande crise da sociedade que exige profunda reflexão. E quanto antes!

Uma notícia de hoje (17-07-2017) em jornal eletrónico titulava: “Geração mais jovem é a mais indiferente à ética”. Mas alertava logo em texto “Leu bem e tal não significa necessariamente que são os mais velhos que são mais éticos”.

Provavelmente, acrescento eu, a indiferença dos mais novos resulta do comportamento hipócrita dos mais velhos, ou seja das nossas gerações.

E avisos não faltam, nem faltaram, lembrando-me, a propósito, de um livro que comprei e li, no ano 2000, isto é na viragem do século, de um conceituado professor da London School of Economics, especialista de Tecnologia da Informação, Ian Angell, sob o título The New Barbarian Manifesto – How to Survive the Information Age.

O seu alvo inicial foi o comportamento dos políticos. Citando-o, em tradução minha: “A política tornou-se uma profissão, um fim em si mesma, e nestes tempos cínicos, políticos decadentes exibem pouco sentido quer de orgulho, quer de vergonha. Cada vez mais são olhados como oportunistas, perdem de todo o respeito por aqueles que representam. A despeito disto, a maioria das pessoas comuns ainda acredita que os políticos são um mal necessário, mas por mais quanto tempo?... A política é como o negócio, é um negócio, um negócio obscuro.”

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*Professor Universitário

Texto escrito de acordo com a nova ortografia