Opinião

É um desabafo

19 mar 2026 09:00

Parece estarmos agora num Tempo em que a minoria (quero crer) vil, mentirosa, gananciosa, prepotente e ressabiada tem vindo a conseguir convencer alguns

As guerras multiplicam-se fazendo com que o mundo viva o maior número de conflitos armados desde a II Guerra Mundial; no Dia da Mulher, a ONU informou que em nenhum país do Mundo há igualdade de género; na Assembleia da República há uma bancada de eleitos que acredita no insulto, no ataque pessoal e na discriminação como forma de fazer política; e as redes sociais ainda discutem afincada, feroz, e maldosamente, a razão de ser, ou não, de um certo vestido azul, usado em ocasião solene.

Parecem acontecimentos e circunstâncias muito diferentes, mas não são, porque em todas elas está o ser humano: o maravilhoso, o vil, o criativo, o mentiroso, o entusiasta, o ganancioso, o tranquilo, o prepotente, o sensível, ou o ressabiado ser humano que, em percentagens muito desiguais, enche o Mundo.

Parece estarmos agora num Tempo em que a minoria (quero crer) vil, mentirosa, gananciosa, prepotente e ressabiada tem vindo a conseguir convencer alguns (demasiados) dos demais a entregarem-lhe a orientação e o destino das suas vidas e, em alguns casos extremos, a vida de todo um país.

Existem, é certo, os cansaços relativos às dificuldades e às necessidades mais prementes que não são devidamente atendidas; existem os acenos com a possibilidade de retomar antigas e vãs glórias, como se fosse possível esse ó tempo volta para trás, poder ser a solução para os problemas de hoje; existem as promessas de futuros pré-fabricados e sorridentes, já para amanhã; e existem os desesperos que levam muitos a acreditar no que quer que seja que os possa salvar.

Mas todas essas promessas, todos os ódios instigados, todas as palavras de ordem panfletárias e todas as falsas compreensões dos problemas alheios, servem apenas os propósitos de quem as pronuncia, sabedores de que nada é mais fácil, para recrutar seguidores, do que se dizer exactamente o que quiserem ouvir.

E o que podem os outros, os maravilhosos, os criativos, os entusiastas, e os sensíveis seres humanos que, sendo seguramente a maioria, parece não serem capazes da força necessária para impedir ascensões indesejadas, comportamentos predatórios, e maledicência compulsiva?

Porque não conseguem sobrepor-se e aniquilar o pequeno e perverso lado negro da humanidade, e obrigar a que a vida aconteça de forma que a raça humana, vista pelos olhos das outras raças, não saia de rastos?

Será que deste lado da barricada nos achamos, mas não somos, realmente combativos?

Será que nos limitamos a apontar o dedo sem na verdade alterarmos seja o que for? Será que apenas nos colocamos no alto do pedestal da decência e da correcção, olhando com arrogância os que lá não estão?

Será que nos encostamos preguiçosamente à ideia de que não está nas nossas mãos mudar o mundo?

Julgo que falhámos, e que assim continuaremos enquanto peroramos sobre o estado das coisas e sobre o que deveria ser feito para o modificar.

Não estamos no nosso melhor, nem o estamos a tentar.

É um desabafo!