Sociedade

Polícias negam ter ódio a minorias étnicas e sentem-se acarinhados pelos cidadãos

19 jun 2020 10:25

Mais uma morte de um afro-americano às mãos da polícia aprofundou a contestação ao racismo nos EUA. Por cá, os agentes garantem tratar todos de igual forma

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Comunidade lida bem com a presença da polícia na rua
Ricardo Graça

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de Maio, em Minneapolis, nos Estados Unidos da América, depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de actos de pilhagem.

Por cá, milhares de pessoas saíram, na semana passada, às ruas de Lisboa, Porto e Coimbra contra o racismo e a violência policial, replicando protestos realizados noutros países.

Num dos cartazes, alguém escreveu: “polícia bom é polícia morto”. A mensagem levou a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) a apresentar queixa no Ministério Público. Perante este contexto, o JORNAL DE LEIRIA foi tentar perceber como se sente a polícia perante a comunidade.

Paulo Rodrigues, presidente da ASPP/PSP, entende que o cartaz foi um “acto isolado” e desgarrado da organização da manifestação. “Não podemos confundir as coisas. O motivo da manifestação faz todo o sentido e devemos combater o racismo. Aquele cartaz não contribui para melhorar a actuação da polícia. Pelo contrário, só incentiva ao ódio”, constata.

Recordando um estudo elaborado pela Universidade Fernando Pessoa, Paulo Rodrigues afirma que mais de 90% das pessoas tem uma boa imagem da PSP e considera que houve “uma evolução grande nos últimos tempos, com agentes mais jovens e uma postura mais adequada”.

O estudo revelava ainda que os cidadãos entendiam que, por vezes, a PSP não fazia mais “porque não podia”, ou “por falta de meios ou pelas políticas superiores”.

Afirmando que “a PSP não vem de Marte” e que os agentes “são reflexo da sociedade”, Paulo Rodrigues admite que possam existir casos de racismo, mas serão “pontuais”, até porque “há uma filtragem e um conjunto de testes que são realizados antes da entrada na polícia”.

O presidente da ASPP/PSP reforça que a “maioria das pessoas compreende” o trabalho realizado pelas forças policiais, o que é evidenciado nas mensagens recebidas ou no apoio que sentiram quando se manifestaram em frente à Assembleia da República, como relata Rui Gaspar, agente de Leiria, que também pertence à ASPP. “Durante a viagem até Lisboa, as pessoas mostraram o seu apoio e afirmavam que estavam do

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