Sociedade

Mão de Obra: as cestas do campo também são um objecto de moda urbana

17 dez 2018 00:00

Maria Cândida, 75 anos, é artesã no projecto Coz'Art, que reabilita uma tradição com 150 anos.

mao-de-obra-as-cestas-do-campo-tambem-sao-um-objecto-de-moda-urbana-9619

Na oficina de trabalho ao vivo, talvez entre duas fatias de pão-de-ló, os turistas que visitam o projecto Coz'Art, instalado na antiga adega das monjas, junto ao mosteiro de Coz, no concelho de Alcobaça, ficam a conhecer a história que explica a tradição do artesanato em junco com origem na vizinha aldeia de Castanheira.

Conta-se que, há 150 anos, um agricultor que se deslocava regularmente a Lisboa para vender produtos da terra recebeu uma encomenda de esteiras para a praia e que da capital vieram duas senhoras ensinar a arte, pela abundância de mão-de-obra na província, momento zero a partir do qual nada mais foi o mesmo em terras de Cister.

Depois das esteiras, surgiram as carpetes e depois das carpetes, os cestos. O cesto dos pobres, pelo custo reduzido, para embalar o farnel no campo, onde a população ganhava os dias, numa região rural e dependente da lavoura.

Hoje, os cestos que já se faziam há 100 anos, no tempo livre e ao serão, como actividade económica para completar o rendimento familiar, são reinterpretados para o segmento alto e médio alto da moda urbana, por exemplo, através da marca Toino Abel, com sede, justamente, na aldeia de Castanheira, já destacada na Vogue, Elle, El País e Le Figaro, entre outras publicações internacionais.

Com nove anos de idade, Maria Cândida aprendeu da irmã mais velha os segredos do artesanato em junco. Na época, meados do século XX, crianças, adolescentes e mulheres adultas reuniam-se à volta do tear para trabalhar em grupo, e os mais novos recebiam dos mais velhos, entre ocasionais chapadas nas mãos, sempre que pisavam o risco, o conhecimento preservado de geração em geração. Maria Cândida começou pela tarefa mais simples – "enquanto não soubéssemos fazer os cantos bem feitos não fazíamos malas" – e deixou a escola na terceira classe com o objectivo de se ocupar a tempo inteiro. "Para ajudar para o pã

Este conteúdo é exclusivo para assinantes

Sabia que pode ser assinante do JORNAL DE LEIRIA por 5 cêntimos por dia?

Não perca a oportunidade de ter nas suas mãos e sem restrições o retrato diário do que se passa em Leiria. Junte-se a nós e dê o seu apoio ao jornalismo de referência do Jornal de Leiria. Torne-se nosso assinante.

Se efectivar a sua assinatura durante o mês de Maio, 10€ reverterão para o combate à fome na nossa região.

#SEMFOMENAREGIÃO

Junte-se a uma grande causa

Ao assinar o Jornal de Leiria durante o mês de Maio, está a contribuir com 10€ para o combate à fome na nossa região.

Uma iniciativa com o apoio Makro

Saiba mais aqui.