Sociedade

Licenciaturas abrem portas a novos mundos

24 mai 2018 00:00

Mais do que um simples grau académico, ter uma licenciatura pode significar uma mudança radical de vida. Abrem-se portas que antes estavam inacessíveis e entra-se num novo mundo.

Paula Almeida
Mário Freitas
Mário Freitas
Mário Freitas
Catarina Militão
Catarina Militão
Catarina Militão
Miguel Fernandes
Miguel Fernandes
Miguel Fernandes
Tiago Fernandes
Tiago Fernandes
Tiago Fernandes
Saudade Silva
Saudade Silva
Saudade Silva
Alexandra Barata

Se, há uns anos, tirar um curso superior não estava nos planos de todos os alunos que concluíam o 12.º ano, sobretudo porque não o encaravam como uma mais-valia, hoje é uma meta para quem ambiciona ter mais conhecimento, um emprego melhor, ser mais bem remunerado, progredir na carreira ou obter reconhecimento. As vantagens no plano profissional e ao nível da qualidade de vida são inquestionáveis.

Publicado no final de 2017, o livro Benefícios do ensino superior revela que o nível de empregabilidade dos diplomados do ensino superior é maior e que ganham mais 50% do que quem tem apenas o 12.º ano. Coordenado pela Universidade do Minho e financiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o estudo refere ainda como vantagem a melhoria da qualidade de vida.

No ano passado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) também destacou o desempenho de Portugal por ser o Estado com melhores resultados na produção de licenciados, porque ganham mais e proporcionam uma grande receita ao Estado, através do pagamento de impostos. “O retorno encontra-se situado em 2,72 vezes superior ao que é investido nestes jovens do ensino superior”, lê-se no site juponline.

O Jornal de Leiria conta-lhe a história de seis pessoas que confirmam as vantagens de prosseguir estudos a nível superior. Paula Almeida, 51 anos, terminou o ensino secundário e começou logo a trabalhar na indústria de moldes, na Marinha Grande. Primeiro, como desenhadora e, depois, como projectista de moldes, profissão que conciliou durante seis anos com a de formadora do ensino profissional, até ter optado por se dedicar apenas à formação.

“Como estava na área do ensino, senti necessidade de aumentar os conhecimentos e candidatei-me ao M23”, conta Paula Almeida, e ingressou em Engenharia de Produção Industrial, no Isdom – Instituto Superior D. Dinis, na Marinha Grande. Aos 42 anos, a vida de Paula Almeida sofreu uma mudança radical.

Com três filhos, trabalhava e dava formação durante o dia e tinha aulas à noite. As “excelentes notas” deram-lhe ânimo para seguir em frente, apesar do sacrifício pessoal. “Foram três anos em que não vivi. A minha filha ainda se lembra de eu estar a cozinhar com papéis na mão.”

Reviravolta na vida

Ter uma licenciatura foi um passo determinante para Paula Almeida reingressar na indústria de moldes, aos 45 anos, mas como quadro superior e com um ordenado mais elevado. “Um curso pode ser uma reviravolta na vida de uma pessoa.”

Foi o que sucedeu a Miguel Fernandes, 53 anos. “Frustrado” com a profissão de bancário, aos 48 anos, candidatou-se a Gestão de Empresas, no ISLA de Leiria, através do programa M23. De início, teve de conciliar o trabalho com o curso, em regime pós-laboral. Mais tarde, saiu da banca e dedicou-se apenas aos estudos. “Fiz o curso no tempo oficial, tirando um deslize, o que me deu um certo gozo.”

Terminada a licenciatura, Miguel Fernandes diz que “a procura activa de emprego foi extremamente frustrante”, pelo que criou o próprio emprego. Abriu o bar Ponto M e, cerca de um ano depois, a DS Seguros. “O curso deu-me autoconfiança e excelentes conhecimentos. Consigo analisar as coisas com outro olhar, apesar de os 24 anos de banca também terem ajudado bastante.”

O empresário destaca ainda o facto de sempre ter sentido muito apoio da parte dos professores do ISLA. “Como as turmas eram pequenas, estabelecia-se uma relação muito próxima com os docentes, que tinham mais tempo disponível para tirar dúvidas e para falarem connosco. Numa grande universidade, é tudo muito impessoal.”

Aumento salarial

A opinião de Maria Saudade Silva, 56 anos, sobre o ISLA, coincide com a de Miguel Fernandes. “Tinha um corpo docente de excelência, com elevada experiência académica e profissional, sempre disponível para acompanhar os alunos nas suas dificuldades”, confirma. “A panóplia de cadeiras fornecia aos alunos um potencial de conhecimento muito além do que se podia imaginar.”

50%
é a diferença do nível salarial dos licenciados em relação a quem possui apenas o 12.º ano

Maria Saudade Silva decidiu voltar a estudar quase 20 anos depois de ter acabado o secundário, pois quis ser mãe primeiro. A sua opção também foi por Gestão de Empresas. As consequências da sua decisão, enquanto funcionária da Direcção Geral de Finanças, fizeram sentirse de imediato: progrediu na carreira e teve um “elevado” aumento salarial. “O conhecimento é uma ferramenta essencial para crescermos enquanto cidadãos e fundamental para um excelente desempenho profissional.”

Catarina Militão, 29 anos, também destaca os conhecimentos que adquiriu em Design Industrial na Escola Superior de Artes e Design (ESAD) do Instituto Politécnico de Leiria, nas Caldas da Rainha, de onde é natural. “Foi bastante aliciante frequentar um dos melhores cursos do País.” Além disso, diz que o contacto com outros cursos da ESAD – Design Gráfico, Som e Imagem, e Fotografia – lhe permitiu desenvolver competências noutras áreas.

“A escola tem condições e oficinas espectaculares. Hoje, a joalharia contemporânea mistura materiais como a cerâmica, metais e madeira. A escola abre-nos a mente”, assegura Catarina Militão.

Após ter terminado a licenciatura, especializou-se em Joalharia, em Lisboa, e partiu para Londres, Inglaterra, onde fez dois estágios e criou uma empresa. Ao fim de seis anos, voltou para Portugal e vai abrir um estúdio na Nazaré. “A cadeira de Inovação e Empreendedorismo deu-me algumas ideias e algumas luzes do que o mercado mais necessitava e um  

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