Economia

Gosto pela agricultura fala mais alto: Jovens com vontade de pôr as mãos na terra

16 mai 2019 00:00

Alunos de 11.º ano do curso profissional de Técnico de Produção Agropecuária, têm em comum o gosto pela agricultura, que lhes vem desde pequenos, e o facto de pertencerem a famílias cujos pais ou avós já estavam ligados à área

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Raquel de Sousa Silva

Edgar, Telmo, Tatiana e João. Quatro jovens que contrariam a tendência de fuga dos mais novos das chamadas profissões tradicionais. Estes alunos da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Cister (EPADRC), em Alcobaça, querem mesmo é pôr as mãos na massa, neste caso na terra, e começar a trabalhar na agricultura e na produção agrícola assim que terminarem o secundário.

Alunos de 11.º ano do curso profissional de Técnico de Produção Agropecuária, têm em comum o gosto pela agricultura, que lhes vem desde pequenos, e o facto de pertencerem a famílias cujos pais ou avós já estavam ligados à área.

Em conversa com o JORNAL DE LEIRIA, todos eles afirmaram não estar interessados em prosseguir estudos superiores, pelo menos para já, mas sim em começar a trabalhar. Primeiro por conta de outrém, para ganharem experiência, e depois, por que não, ter o seu próprio negócio.

Com 18 anos, Tatiana Faustino admite que sempre apreciou animais, fruticultura e horticultura. Em criança acompanhava os avós nos campos. “Ficou-me desde pequena o gosto pela terra”. Acredita que não se “daria bem” noutro curso que não um profissional, e ligado a esta área.

Quando terminar o ensino secundário, quer ir logo trabalhar. Na terra e com animais. “Não me vejo a fazer outra coisa”. A jovem do concelho de Alcobaça quer começar por trabalhar por conta de outrem, mas depois, “com calma”, pensar em ter a sua própria empresa nesta área.

Edgar Reis, 17 anos, já está a dar os primeiros passos nesse sentido. Presta alguns serviços a pequenos produtores, que precisam de recorrer a terceiros para lavrar as terras, e vende lenha.

Também este jovem, de Caldas da Rainha, é oriundo de uma família com ligações à agricultura. Quando teve de escolher o percurso a seguir no 10.º ano não hesitou em escolher esta área: “era o que eu gostava”.

Quando acabar o ensino secundário, quer manter a prestação de serviços, mas tenciona arranjar um emprego por conta de outrem, que lhe permita trabalhar na área em que gosta e ter um ordenado certo ao fim do mês.

Para já, não pretende fazer estudos superiores. “É verdade que não tenho muita vontade mas, sobretudo, acho que o que é mais preciso são pessoas com níveis intermédios de formação para trabalhar”.

Os avós são agricultores e Telmo Fonseca, 18 anos, natural do concelho de Alcobaça, admite que gosta da área desde que se lembra. “Sempre achei interessante e sempre quis saber mais”. Depois de terminar o ensino secundário, tenciona ir logo trabalhar, “de preferência com animais”.

Foi, aliás, numa empresa de engorda de ovinos, em Ourém, que o jovem fez recentemente o estágio de cerca de três semanas incluído no programa do 11.º ano. “Vacinava, fazia camas, calibrava e agrupava por lotes”, explica.

Os avós foram agricultores, o pai era jardineiro e João Faustino acompanhava-o sempre que possível quando era pequeno. O gosto pela terra ficou-lhe desde essa altura, reconhece. Assim que acabar o 12.º ano pretende dar continuidade ao negócio do progenitor, que tem duas vertentes: jardinagem e limpeza de matas.

No estágio, o jovem do concelho de Leiria esteve no Vale do Lis, com um produtor. Preparou a terra e fez plantações, sobretudo de couves, mas também despachou encomendas. Tatiana estagiou igualmente na horticultura, numa empresa em Valado dos Frades. Andou “com as mãos na terra, sem luvas”, frisa. “Adorei”.

Edgar Reis fez também aquilo de que mais gosta: tudo o que tinha a ver com máquinas, em pomares, nomeadamente tratamento dos mesmos.

Patrícia Monteiro, professora na EPADRC e directora de turma dos jovens, diz que neste momento há cerca de 80 alunos nos três anos de nível secundário do curso de Técnico de Produção Agropecu&aa

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