Sociedade

Futebol, barcos, viagens e mil e uma histórias para contar

17 dez 2017 00:00

Amadeu Marques nasceu em Vila Franca da Beira e reside na Marinha Grande

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Daniela Franco Sousa

Amadeu Marques tem 59 anos de uma vida muitíssimo preenchida de histórias para contar. Nasceu em Vila Franca da Beira, mas deixou o concelho de Oliveira do Hospital, ainda muito jovem, para trabalhar por todo o mundo. Foi assim que conheceu mais de 30 países.

Nasceu no seio de uma família numerosa. Eram oito crianças. Quatro rapazes e quatro raparigas, uma delas gémea de Amadeu. Os seus pais viviam do trabalho no campo e os filhos tiveram de deixar os livros bastante cedo para ajudarem o agregado.

Feita a quarta classe, com 12 ou 13 anos, Amadeu vai viver para o Porto para trabalhar na restauração. Chegou à Invicta com o dono da casa de pasto, que era amigo chegado dos seus pais. Desde a partida para o Porto, “eu era praticamente como um filho para ele. Vivi com ele e trabalhei para ele até ir para a tropa”, conta Amadeu.

Na adolescência, Amadeu era um miúdo de rua, que gostava de ar livre e de jogar à bola. Chegou a jogar futebol nas camadas jovens do Salgueiros. E tinha jeito, admite o senhor Marques. No entanto, tinha pouco tempo disponível. E com a ida para a tropa, que cumpriu em Tomar, acabou por deixar as chuteiras de lado.

Quando regressou ao Porto, um colega seu, também natural de Vila Franca da Beira, que estava a trabalhar em Lisboa, teve a iniciativa de emigrar e convenceu Amadeu a sair do País também.

Foi assim que, em 1984, Amadeu foi para a ilha de Jersey, no Reino Unido, e passou a trabalhar num hotel. A trabalhar no hotel, Amadeu tinha contratos de um ano com paragens de um mês, que serviam para passar férias em Portugal.

Adaptou-se facilmente à língua estrangeira. Aliás, ao longo da vida, ouvir os outros conversar foi o bastante para aprender e se fazer compreender em três idiomas: Inglês, Francês, Castelhano. Além do Português, naturalmente. Ao cabo de três anos, quando estava a residir no Reino Unido, colocaram-lhe outro desafio. Gostavam tanto do seu desempenho que lhe propuseram emprego nos navios de cruzeiros.

Amadeu aceitou o desafio. Foi para a Grécia, onde estava atracado o Regent Sea. O objectivo da tripulação deste barco, um grupo de cerca de 2000 colaboradores, era limpar, assegurar a manutenção e reparar tudo o que fosse necessário até à entrada de turistas para nova viagem. Era uma equipa extensa que se dividia pelas cozinhas, várias salas, restaurantes, cabeleireiros, áreas de mecânica, entre muitos outros departamentos. Por aqueles dias, a meta era “deixar tudo a brilhar”.

Preparada a embarcação, o Regent Sea viajou depois da Grécia para a Jamaica e, a partir dali, iniciou um cruzeiro de sete dias. Entre outros destinos, Amadeu teve oportunidade de atravessar o Canal do Panamá e de passear pela Colômbia.

Assegurava o serviço de mesa. O objectivo era ser simpático e servir rápido. Depois de fazer esta rota durante algum tempo, Amadeu conheceu outra embarcação. Uma réplica autêntica do “Barco do Amor”, compara o empregado de mesa.

Neste navio, baptizado de Ocean Princess, Amadeu participou em mais rotas diferentes: Brasil, Argentina e Uruguai; Jamaica, Colômbia, México e Caraíbas; Alasca, com partida de Los Angeles; e uma outra rota, que começou em Filadélfia, nos Estados Unidos, passando por Porto Rico, Bahamas e Bermudas em direcção ao Canadá. Foi também no Ocean Princess que teve oportunidade de trabalhar no Mar Mediterrâneo.

Amadeu Marques colaborou nos cruzeiros durante sete anos. Recorda-se de ter recebido grandes gorjetas e de ter explicado inúmeras vezes que Fátima não era um País, apenas uma cidade de Portugal.

Pelo meio ficaram aventuras engraçadas, como aquela em que perdeu o barco e teve de pagar multa por isso.

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