Entrevista

Carlos Guerra: “A cidade de Leiria esteve mesmo no olho do furacão”

12 fev 2026 08:00

O comandante sub-regional de Emergência e Protecção Civil de Leiria alerta para a necessidade de investimento para garantir um território resiliente

O que sucedeu com a depressão Kristin foi inédito no País?
Estamos perante um episódio nunca visto. Já atravessámos diversos eventos atmosféricos e desta natureza, como o Leslie, mas comparado com isto, o Leslie é um aprendiz de feiticeiro. Isto faz-nos constatar que nunca estamos preparados para tudo. Por muito que tenhamos feito avisos, porque o IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera] nos foi dizendo que as questões eram graves, a população nunca pensou que a gravidade tinha esta dimensão.

E a Protecção Civil tinha verdadeira consciência do impacto da Kristin?
Quisemos acreditar nos técnicos e que era tão grave como diziam. Nos briefings sucessivos que fizemos dias antes, a cada duas horas, o IPMA ia dizendo que a situação era bem pior. Inicialmente diziam que entrava entre Esposende e Aveiro, depois já era na Figueira da Foz e às duas da manhã recebi uma chamada do comando nacional e do presidente da autoridade a dizer: ‘Guerra, prepara-te, vai ser mesmo tudo para ti’. Hoje estou convencido que a cidade de Leiria esteve mesmo no olho do furacão. Nessa noite, encontrei o comandante da PSP e, durante o pico, já sem luz, vimos árvores com toneladas de peso a virar, como se estivéssemos a tratar de folhas de papel. A força do vento era tanta, que conversávamos sobre o que era possível fazer perante isto. Temos de nos preparar cada vez mais para episódios desta natureza.

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