Editorial

Tapar a cabeça e destapar os pés

24 out 2020 10:55

Puxou-se o cobertor para cobrir uma necessidade, mas como ele é curto muitas outras ficaram a descoberto.

Se o Serviço Nacional de Saúde (SNS) já antes da pandemia nem sempre respondia às necessidades dos utentes, a Covid-19 veio agravar a situação, deixando para trás muitas pessoas com outro tipo de doenças.

Puxou-se o cobertor para cobrir uma necessidade, mas como ele é curto muitas outras ficaram a descoberto.

Agora não é possível ir aos centros de saúde para marcar uma consulta, estas devem ser agendadas por telefone ou por mail.

Tarefa nem sempre fácil para uns – os telefonemas raramente são atendidos - e simplesmente impossível para outros, os mais idosos e sem acesso às tecnologias informáticas.

Uma sondagem cujos dados foram por estes dias conhecidos revela que mais de 60% dos inquiridos considera que a resposta dos serviços de saúde é agora pior do que era antes de ter começado a pandemia.

Por outro lado, 66,5% estão convencidos de que o plano da Direcção-Geral da Saúde para o Outono e Inverno não será suficiente para acorrer a todas as solicitações que se antecipam.

O actual Bastonário da Ordem dos Médicos e cinco ex-bastonários assinaram uma carta aberta dirigida à ministra da Saúde em que pedem uma resposta “eficaz” para as necessidades dos doentes Covid e não Covid.

Falam em 100 mil cirurgias atrasadas no SNS, a que se junta um milhão de consultas nos hospitais, e apontam milhares de rastreios por fazer. Números que dão que pensar.

Uma pessoa com suspeita de cancro não pode esperar meses por uma consulta ou por um exame, seja em altura de pandemia seja noutra qualquer. Assim como não podem esperar durante meses outros doentes cuja qualidade de vida depende de cirurgias.

Se o SNS não consegue dar resposta, por que não encaminha esses doentes para o privado, com vales-cirurgia, medida criada em 2004 no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia?

O objectivo era precisamente “garantir uma resposta ao utente, sempre que o SNS não o consegue fazer num tempo clinicamente aceitável, através do encaminhamento para outros hospitais privados ou sociais com convenção com o SNS”.

O Serviço Nacional de Saúde português é reconhecido com um dos melhores da Europa (ranking Euro Health Consumer Index), mas sem dúvida que continua a haver muitos aspectos a melhorar.

 

Às vezes, basta uma oportunidade para mudar a vida de uma pessoa”.

A afirmação é de Avelino Gaspar, presidente da Lusiaves, grupo de Leiria que acaba de se associar ao projecto Morada Certa - Leiria Housing First, da associação InPulsar, que visa dar um tecto aos semabrigo da cidade.

Um projecto em que já está envolvida a Câmara de Leiria e a União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes e que já mudou a vida a três sem-abrigo que durante décadas não tiveram uma casa.

Um bom exemplo de como com parcerias entre poder autárquico, movimento associativo solidário e sector empresarial se pode fazer a diferença.

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