Opinião

O valor do património edificado

22 dez 2016 00:00
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Micael Sousa, investigador

Se a reabilitação for feita a custos controlados, aproveitando ao máximo as existências de forma equilibrada e pragmática, garante-se a salvaguarda do património e a redução de custos, podendo ficar abaixo do custo da obra nova.

Sabemos que a reabilitação de edifícios antigos para fins habitacionais ainda é residual em Portugal, face à construção nova. Em 2011 representava apenas 8% do total, quando na UE era de 26%.

O edificado nacional precisa de ser regenerado por várias razões. Havendo este património herdado por valorizar, numa perspectiva do planeamento urbano, pouco se justifica criar novas zonas de expansão. Levantam-se assim também questões relacionadas com o património natural. O solo é um recurso natural não renovável, que tem apetências especiais consoante as suas características.Trata-se de um recurso muito valioso que temos de gerir de forma sustentável, que só deve ser ocupado quando estritamente necessário ou daí resultar algo inquestionavelmente útil. Sabemos que as obras de reabilitação podem garantir um novo fôlego social e económico ao país.

Quando comparadas com a construção nova, são mais intensivas no uso de mão-de-obra (entre 25% a 40% mais), o que contribui positivamente para a criação de emprego. A reabilitação e restauro de edifícios também carecem de materiais de construção locais e de técnicas especializadas, mais ou menos artesanais, de modo a manter a autenticidade das intervenções.

No entanto, a reabilitação de edifícios antigos pode ser muito mais onerosa que a construção nova. Isso acontece quando as reabilitações são muito profundas, quando se aproveita o mínimo do edifício ou então nos processos profundos de restauro. Se a reabilitação for feita a custos controlados, aproveitando ao máximo as existências de forma equilibrada e pragmática, garante-se a salvaguarda do património e a redução de custos, podendo ficar abaixo do custo da obra nova.

*Presidente do CEPAE
Esta coluna é da responsabilidade do Centro de Património da Estremadura (CEPAE)

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