Opinião

O que precisa saber/ser a criança para ter sucesso no 1.º ciclo?

26 jun 2016 00:00
antonio-frazao
António Frazão

Desde que nascemos que estamos confrontados com a mudança permanente, inevitável e necessária a que aprendemos a adaptar-nos, e que esta adaptação é aprendizagem.

Os primeiros cinco anos de vida correspondem ao período das maiores, das mais intensas, das mais essenciais aprendizagens de toda a vida, conseguidas de forma natural e espontânea, e sem problemas de maior.

Com a entrada no 1.º ciclo e o início da aprendizagem formal, surgem, para muitas crianças, as dificuldades. A aprendizagem pode tornar-se num pesadelo para as crianças e para os pais. E quando falamos em dificuldades de aprendizagem e de adaptação à escola não nos referimos a crianças com problemas de desenvolvimento ou deficits cognitivos, mas às que, sendo intelectual e cognitivamente normalmente desenvolvidas e que disso deram prova com as aquisições feitas até aos 6 anos.

Que tipo de criança se adapta melhor no 1.º ciclo? Que factores mais facilitam o sucesso nas aprendizagens? Poderemos afirmar com segurança que nem o nível intelectual mais elevado, nem o conhecimento específico acumulado antes da escolarização (saber alfabeto ou letras; saber contar até 50; ou mesmo saber ler…) são garantia de sucesso mais fácil.

O nível intelectual elevado e um alargado conhecimento prévio só contribuem para o sucesso se associados às competências sociais e emocionais. Assim, a criança deve ter as autonomias mais importantes conquistadas: vestir-se e calçar-se; tomar conta das suas coisas e arrumá-las; conhecer e cumprir regras básicas; ser capaz de cumprir pequenas tarefas. Deve ter desenvolvido a partir da família e da préescola a capacidade: de controlar o seu comportamento, adequando-o ao contexto e à tarefa; de estabelecer relações com os outros; de fazer coisas com um propósito…, com determinação e persistência, em conformidade com o objectivo; de equilibrar as necessidades e interesses próprios com as necessidades e interesses do outro; de manter activo o desejo de aprender; de ter o sentimento de controlo e de domínio do seu corpo, como do seu comportamento; de ouvir e expressar as ideias e sentimentos.

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