Opinião

O Pinhal de Leiria

26 out 2017 00:00
henrique-neto
Henrique Neto

A seguir ao incêndio de domingo, que queimou o Pinhal de Leiria, o jornal digital Observador recordou o grande fogo de um outro domingo, a 2 de Setembro de 1916, e o que então foi escrito.

Por exemplo, o poeta e jornalista leiriense Acácio de Paiva interrogava-se no jornal O Século: “Serão os planos para diminuir os incêndios ao menos eficazes? Conseguir-se-á uma vigilância suficiente e permanente? Não se voltará, passada a impressão de catástrofe, à indiferença do costume?”

Estas interrogações poderiam ser de hoje [21/10], no dia em que o Governo se reúne extraordinariamente para decidir o que fazer com a maior série de fogos de que há memória em Portugal e lamentar um número de mortos mais próprio de uma guerra do que de tempo de paz. Uma oportunidade para o Primeiro Ministro retirar da gaveta as propostas que lhe foram entregues há dez anos, quando era ministro da Administração Interna.

Eu próprio lá estive com outros em representação da COTEC, associação que pagou o estudo que explicava com grande pormenor a forma de acabar com a tragédia dos fogos em Portugal. Mais vale tarde do que nunca, dirão.

Não sei, conhecendo o que a casa gasta, ajuizando pelas sucessivas apresentações aos jornalistas feitas ao longo do dia, receio que tenhamos principalmente mais comissões e mais notícias destinadas a acalmar os protestos.

Cada um faz bem principalmente aquilo que sabe fazer e o primeiro ministro sabe navegar com mestria por entre os interesses e as exigências dos seus apoiantes. Foi o que fez depois de Pedrogão Grande e não mudou durante quatro meses até ao domingo fatal.

 

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