Opinião
Educação: a base do nosso chão comum
Só com um investimento consistente e sustentado na Educação, do pré-escolar até ao ensino superior, será possível reforçar os nossos valores comuns
O mundo enfrenta hoje mais desafios do que nunca. As alterações climáticas, a proliferação de lideranças autocráticas, infelizmente presentes em todos os continentes, as guerras, os desequilíbrios demográficos, a escassez de alimentos à escala global, o acesso à água potável, bem como as crises inflacionistas e o aumento do custo de vida, são desafios incontornáveis do nosso tempo.
Neste mês de janeiro, quando se assinalam 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia, importa reconhecer que, apesar das dificuldades, a Europa continua a afirmar-se como um espaço singular à escala global. Partilhamos valores comuns distintivos: o respeito pelos direitos humanos, a liberdade, a diversidade cultural e religiosa, o acesso universal à educação e à saúde, bem como a valorização do conhecimento, da inovação e da ciência.
Estes valores constituem o nosso chão comum! A Educação assume, neste contexto, um papel central. Foi através dela que estes valores foram consolidados, num processo construído de forma densa, coletiva e colaborativa, sobretudo após a 2ª Guerra Mundial e depois da queda de várias ditaduras, incluindo a portuguesa. Regimes esses suportados na promoção do analfabetismo e da iliteracia, reservando o acesso à educação a uma elite minoritária detentora do poder absoluto.
Hoje, mais do que nunca, a Europa tem de se manter forte e unida na defesa e no reforço destes valores, que devem ser, simultaneamente, a base e o farol orientador das prioridades políticas. Só com um investimento consistente e sustentado na Educação, do pré-escolar até ao ensino superior, será possível reforçar os nossos valores comuns, responder aos desafios globais e acelerar convergências de regiões e países no seio da Europa.
Só assim formaremos cidadãos mais informados, críticos e participativos, teremos melhor saúde, uma economia mais competitiva baseada no conhecimento e na inovação, e uma sociedade onde a diversidade cultural e a interculturalidade sejam vistas como uma riqueza e não como um fator de divisão.
Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990