Opinião

O Parquinho do Aviãozinho

15 jul 2016 00:00
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Alexandra Azambuja, publicitária

Na cidade há apenas um espaço nobre para as crianças: é o Parque do Avião. Só que chamar-lhe “Parque” é um bocadinho mania das grandezas.

Quem tem crianças pequenas sabe o tormento que é passear por ali, com a margem do rio separada dos miúdos pequenos por um murete baixinho que qualquer criança galga em três tempos.

A vedação tem um tímido início, mas depois interrompe-se subitamente, vá lá saber-se porquê…

A verdade é que quem leva crianças ao parque sabe que tem de estar de olho nelas e que um segundo de distracção não pode ocorrer, e é precisamente por isso que não acontecem ali acidentes com crianças. Mas um Parque não seria por definição um lugar pensado também para os mais novos estarem em segurança, permitindo um momento de descontracção aos pais?

Ali não acontece nenhum acidente pelo mesmo motivo que damos a mão às crianças para atravessar a passadeira. Somos responsáveis.

Mas o Parquinho do Aviãozinho não é uma passadeira pois não? Supostamente seria o local por excelência de Leiria onde as famílias poderiam passear com as suas crianças, descontraidamente, fruindo uma das raras zonas verdes da cidade. Mas não.

O que sei é que passear nas alamedas do Lis com crianças é perigoso e só sabe isso quem tem filhos pequenos e tem de os impedir de se debruçarem no pequeno muro que as separa do rio.

Pergunto a mim mesma se o dinheiro gasto nas ridículas pontes no tempo da outra senhora – com medalha de mérito carapau de corrida para a ponte alcatifada de azul que está num lindo estado – não daria para colocar uma protecção na margem do rio ao longo do Parquinho do Aviãozinho.

Ou se o dinheiro gasto a assassinar a pequena biblioteca que também lá existia não seria mais bem empregue em equipamentos para as crianças.

Pois que não.

Pois que quem decide nunca por nunca ser deve ter passeado com crianças pela mão na cidade. Não sabe pois que as cidades e os seus espaços públicos são também aquilo que torna uma cidade viva, apetecível, visitável, crescente.

Quem decide devia pois ser obrigado a fazer várias coisas em Leiria:

1. Levar crianças pequenas a passear no Parquinho do Aviãozinho e correr atrás delas quando se debruçam – naturalmente curiosas - sobre o murete do rio;

2. Atravessar a cidade – do Maringá até à Câmara por exemplo, num dia de sol, sem chapéu;

3. Viver na cidade;

4. Tentar estacionar no Hospital;

5. Apanhar um Expresso na rodoviária nacional e certificar-se que não, não estamos na América Latina;

6. Fazer compras no buraco a que chamam de Mercado Municipal;

7. Tentar fazer a Avenida Mouzinho de Albuquerque na via da direita sem que um carro esteja ali mal estacionado.

Aliás, quem decide, devia ser obrigado a viver a cidade, a senti-la como sua. Por estranho que pareça nunca vi ninguém que decide andar a pé em Leiria.

Deve ser porque visitam o Parque do Avião.

E eu só vou ao Parquinho do Aviãozinho…