Opinião

O óbvio é mais que óbvio

9 mai 2019 00:00

Sabemos o quanto a felicidade é uma dimensão dilatada e abstracta, mas indiscutivelmente essencial para o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo.

Brincar é muito mais que brincar. E parece ser no neocórtex (área cerebral mais desenvolvida no Homo Sapiens), que se aloja e sedimenta esta fundamental competência do ser humano, enquanto destreza vital do desenvolvimento.

Brincar não é uma acção exclusiva do homem, estando igualmente presente numa enorme diversidade de espécies animais, sobretudo mamíferos. E reveste-se da função primordial de favorecer a progressão, rumo à independência e facilitação da autonomia ou da regulação das funções emocionais e sociais, por via do jogo e mimetização simbólica da realidade.

É no palco da brincadeira que é possível errar, perder, ensaiar, experimentar e intuir. Mas também, imitar, vencer, observar e reformular estratégias, potenciando a eficiência e a solidez dos comportamentos, dos pensamentos e das reacções.

Inúmeras são as pesquisas neurobiológicas que demonstram o óbvio, aquilo que transportamos desde as nossas origens: a brincadeira tem uma razão de sobrevivência, dandonos a possibilidade de edificar um cérebro pró-social, favorecendo interacções determinantes para a evolução e sabedoria efectivas, labor que é indissociável da condição humana, cuja linhagem de seres gregários que usam as confluências da relação é valor universal.

E isso é condicionado quando os pais manifestam tendência para querer controlar em demasia as brincadeiras dos filhos, o que aumenta a preocupação de que o papel dos educadores em possibilitar que as crianças brinquem mais tempo na rua, em contacto com os elementos naturais e com os pares, na livre interferência significativa, tem vindo a crescer, uma vez que estas brincadeiras já não fazem parte do quotidiano, comparativamente com o que sucedia no passado.

Sabemos o quanto a felicidade é uma dimensão dilatada e abstracta, mas indiscutivelmente essencial para o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo.

Afinal, há experiências, palad

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