Opinião

Iupiiiiii

13 jan 2018 00:00
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Paulo Kellerman, escritor

Mas certamente por distracção ou descuido, terá havido um momento em que o teu olhar recaiu no parque dos baloiços e, quando deste por ti, todos os dias espreitavas aquele canto abandonado do cenário.

Não te lembras da primeira vez em que reparaste nos baloiços. Percorrias diariamente o mesmo trajecto mas sempre te fora um pouco indiferente o cenário que te rodeava; no fundo, não te interessavam as pessoas com quem te cruzavas – e era essa a parte do cenário que mais te intimidava, que pretendias evitar: as pessoas.

Seguias focalizada em ti e nos teus pensamentos, tentando que o mundo não desse pela tua passagem. Como se o teu corpo fosse uma janela através da qual o mundo olhasse para o interior de ti própria e, desse modo, te conhecesse; não olhar para os outros era a tua forma de manter as cortinas cerradas.

Mas certamente por distracção ou descuido, terá havido um momento em que o teu olhar recaiu no parque dos baloiços e, quando deste por ti, todos os dias espreitavas aquele canto abandonado do cenário.

Entristecia-te ver os baloiços sempre abandonados e estáticos, como se fizessem sentido apenas quando usados por alguma criança irrequieta ou aborrecida ou sonhadora e não possuíssem qualquer valor intrínseco.

O que sentiriam os baloiços, se pudessem sentir? Talvez algo semelhante ao que tu própria sentes, por vezes: uma desadequaçãoem relação à vida e aos outros; como se estivesses a mais no mundo.

Por vezes, perguntavas-te distraidamente: e se eu f

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