Opinião

In bocca al lupo

15 fev 2018 00:00
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Fernando Ribeiro, músico

Competir enquanto alternativa às grandes cidades é uma coisa boa que pouco ou nada tem a ver com o ressentimento “provinciano" que os líderes de opinião lisboeta invocam quando beliscados na sua hegemonia urbana.

Sendo um País pequeno, Portugal sempre lutou contra a concentração de poderes num só local, nomeadamente na sua capital. Todos os cidadãos de um país têm uma relação amor-ódio com as suas capitais, o que tem uma razão de ser.

Muitas vezes as relações estabelecidas estão inquinadas por uma sobranceria citadina versus um complexo de inferioridade/deficit de atenção regional. Penso que esta é uma fórmula que podemos reconhecer como sendo de todos, mesmo que seja complicado admiti-lo.

Posto isto, acho que essa “fricção” é uma das chaves do desenvolvimento local, no que toca ao âmbito cultural. Competir enquanto alternativa às grandes cidades é uma coisa boa que pouco ou nada tem a ver com o ressentimento “provinciano" que os líderes de opinião lisboeta invocam quando beliscados na sua hegemonia urbana.

Em Portugal há muita gente que se acha mente aberta, apenas pelo facto de conhecer mil e uma coisas e de poder participar nas suas géneses. Há uma obsessão pela novidade, que é boa, mas que tem toldado a visão de muita gente que é paga pela sua opinião e a usa para ajustar contas que nem sequer são suas.

Este “combate”, que às vezes faz faísca, é bom e é o que nos permite dar combustão às palavras e aos actos. Estamos chegados a um ponto em que muitos dos melhores talentos da capital de lá saíram por diversas razões.

 

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