Opinião
Epístola ao André, o Pereira!
Os tempos que vivemos, agora ainda mais de guerra, de pestes, de tempestades, de acidentes, de doenças e mortes, questionam a existência de um deus
Servem estas linha meu caro, para dar seguimento a uma amizade que, nunca tendo sido muito profunda, nos tem permitido algum trabalho e convívio, ficando uma certa curiosidade sobre as convicções do outro.
Posicionas-te, penso eu, artística e/ou pessoalmente, como alguém muito distante da fé, nomeadamente a cristã. Já eu, vou tentando manter acesa a chama da mesma!
Cruzamo-nos, também, nas redes sociais. Serei justo se disser que normalmente és tu o motivador, melhor, provocador de serviço (sendo meigo).
Acrescento que fazes da escrita uma parte integrante da tua vida. Acrescento que admiro o jeito com que consegues fotografar a alma ( sim, acredito que ela existe) dos que se sentam à tua frente para que lhes fales ou que fales deles a alguém. Acredito, por fim, na sinceridade com que vociferas contra crentes e seus pensamentos, palavras e obras.
Mais ainda, acredito que te esforças por ser intelectualmente honesto, o que não te tem impedido de, facilmente, te arvorares em inquisidor mor dos que dão azo às suas convicções maiores e à expressão da sua fé. E, tendencialmente Deus/deus, que não concebes, também leva por tabela.
Os tempos que vivemos, agora ainda mais de guerra, de pestes, de tempestades, de acidentes, de doenças e mortes, questionam a existência de um deus. Dirias. Digo que nos lança a provocação maior de não O deixarmos de procurar e de não duvidarmos do Seu interesse por nós. Não fazendo
Dele o mecânico das nossas ações, mas inspiração e força maior para os desafios dos dias. Para isso se reza, também.
Temo que as discussões que provocas, assim como dão azo a oportunistas da suspeita, são, também, ratoeira fácil para aqueles que acham que aí devem defender a sua honra e a do seu Deus.
Já eu, meu caro amigo, acredito que todos procuramos a nossa maneira de procurar.
Quer seja pelo combate, pelo silêncio, pela escrita, pela oração, pela arte. E mesmo não nos percebendo, em plenitude, uns aos outros, não deixemos de nos admirar e respeitar.
E duvidar! Fica bem!
Texto escrito segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico de 1990