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Teresa Calçada: "O digital pode ajudar a valorizar a leitura e a escrita"
Fotografia: Nuno Brites

Sociedade

14 Setembro 2017

Teresa Calçada: "O digital pode ajudar a valorizar a leitura e a escrita"

Comissária para o Plano Nacional de Leitura, acredita que é sobretudo pelo exemplo que as famílias e as escolas podem captar os mais novos para a leitura.

Ler + todas as palavras do mundo é o lema do Plano Nacional de Leitura (PNL) 2027 que começa agora a ser implementado. Que mensagem se quer passar com esse lema?

Ler é um modo de estar na vida. E ler todas as palavras do mundo porque o mundo se expressa em palavras e é preciso defender a palavra porque esta pode estar ameaçada. Mas tem também um sentido para além disso: ler todas as palavras que falam do próprio mundo, seja a linguagem científica sejam as linguagens artística e musical. É o ser capaz de ler o mundo e as palavras e ter consciência do valor das palavras e não deixar que elas morram em nome de qualquer ilusão sobre o seu valor.

O novo PNL vai também apostar na escrita?
Vai. Queremos reforçar a ideia de que a leitura e a escrita estão muito associadas e que uso e o treino de uma favorece o uso e o treino de outra. O digital está hoje nas nossas vidas e envolve muito a escrita. Acredito que o digital pode ajudar a valorizar a leitura e a escrita. Precisamos de saber escrever, porque estamos sempre a escrever. Perceber a necessidade, a funcionalidade e o valor simbólico da escrita ajuda-nos à leitura e vice-versa.

O digital é uma ameaça ou uma oportunidade para a leitura?
Ler é ler. Por razões sociais, pessoais e profissionais, as leituras são hoje de natureza muita diversa e em diferentes suportes e que, uma vezes, favorecem mais umas leituras e às vezes favorecem leituras de outra natureza. O digital é uma coisa fantástica. A informação a que temos acesso e o modo rápido como podemos lá chegar... É um mundo fabuloso, ao qual acedemos para as coisas mais práticas da vida, desde a informação sobre um medicamento, o modo de pentear o cabelo ou uma planta, a consulta de artigo científico, de um livro de ficção ou de livros para brincar com as nossas crianças. Isto é amigo da leitura, mas também pode ser inimigo.

Em que circunstâncias?
Será inimigo se eu excluir formas mais elaboradas de ler, se ficar tomado pelos aspectos mais simples e se confundir entretenimento e voragem de passar de um sítio para o outro com leitura cuidada, que inclui verificação de fontes e capacidade de saber distinguir o trigo do joio. A única maneira de nos defendermos e de nos fazermos compreender num mundo de economia do conhecimento é ler, ler mais, ler bem, ler com fluência. Resumindo: ler. À partida, não importa o suporte, mas temos de estar avisados dos limites ou dos aspectos aditivos de algumas tecnologias, que não são apenas deste tempo. As tecnologias de agora, são perigosas por causa da sua rapidez, do aditivo que representa a permanente conectividade e da ilusão que dão sobre o saber, porque, em vez de nos tornar proprietários de conhecimento, podem fazer-nos escravos da falsa ilusão e democracia do conhecimento.

O livro em papel vai sobreviver ao digital?
Ninguém sabe. Para já, sobrevive. É como dizia Umberco Eco sobre a colher: 'enquanto provar que é um bom utensílio para comer, a colher não morre'. Acredito que com o livro será o mesmo, um pouco como acontece com a imagem, o cinema ou a fotografia. As pessoas mais conscientes do problemas devem alertar para os perigos de afastarmos da nossa vida elementos de desenvolvimento que a História vem provando serem instrumentos muito úteis na inteligência global dos homens. Há meia dúzia de anos, dizia-se que, com os ebook, deixaria de haver livros em papel. Hoje as estatísticas mostram que muita leitura se faz no digital, mas que também muita leitura, nomeadamente de ficção, continua a fazer-se em papel, sem prejuízo de se usarem outros suportes.

Ainda é do 'clube do papel'?
Sou, sobretudo quando se trata de ficção. Gosto muito de livros e do seu formato em papel e porque têm muita representação simbólica para mim. Sou o que sou por força dos livros e do modo como os li e do suporte em que os li e quero preservar isso no meu cérebro e na minha sensibilidade. Há muitos aspectos que ainda não dominamos para poder responder se o livro em papel vai sobreviver ao digital. Ao longo dos séculos, o Homem tem vindo a arranjar periféricos que aumentam o seu próprio corpo, a sua capacidade de percepção e de sentir. Mas há ainda alguma coisa que pertence aos homens: a imaginação, a linguagem. E a liberdade que vem associada à leitura sozinho, adaptada ao meu gosto, ao que escolho e sem algoritmos a fazer com que eu goste disto ou daquilo.

Tem trabalhado muito com crianças e jovens. A ideia de que este é um público que não gosta de ler corresponde à verdade?
A experiência mostra que há mais pessoas e mais miúdos a ler. Agora, o modo de ler alterou-se bastante. Se cingirmos o ler ao livro em papel e ao que isso representa – o ficar isolado a ler, ter aquele objecto comigo e não o misturar com outros gadgets - e não tomarmos como leitura o que vem nas redes sociais e nas informações que retiro do computador e dos smartphones para estudar, então lê-se menos. Vivemos numa sociedade do entretenimento, na qual os jovens tendem a valorizar aquilo que aparece como muito próprio do tempo deles e que é mais tribal, ou seja, o que os amigos fazem, mas também aquilo que vêem os pais fazer.

Além de continuar a aposta no aumento do níveis de literacia dos mais jovens, o PNL quer “levar a leitura a outras esferas da sociedade”. Ter pais que gostem de ler é meio caminho para que os filhos também gostem?
 

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Maria Anabela Silva
Redacção Maria Anabela Silva anabela.silva@jornaldeleiria.pt






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