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Sete maravilhosos doces juntam sabor, amor e tradição

18 mai 2019 00:00

Sete doces tradicionais do distrito de Leiria preparam- -se para conquistar o júri do concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal

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Daniela Franco Sousa

Cornucópia de Alcobaça, pão-de-ló de Alfeizerão, amigos de Peniche, esses de Peniche, cavacas das Caldas, pastéis de mós e brisas do Liz. Eis as sete especialidades do distrito de Leiria que passaram à fase seguinte do concurso 7 Maravilhas Doces de Portugal. São ainda esperadas várias fases de selecção até à derradeira Gala Finalíssima, emitida a 7 de Setembro pela RTP 1, onde, por fim, serão escolhidos, entre 14 finalistas, os sete melhores doces do País.

Enquanto o painel de 140 especialistas não escolhe os vencedores, o JORNAL DE LEIRIA apresenta desde já algumas razões pelas quais vale a pena torcer por estes sete maravilhosos doces do distrito.

À conversa com os pasteleiros, apresentamos histórias, dicas e segredos. E há para já uma certeza que se impõe. Sabor, amor e tradição fazem parte dos ingredientes de cada uma destas nobres receitas.

Receitas com amor incluído

Paula Alves está à frente da Alcôa há 36 anos e perdeu a conta ao número de cornucópias que fez nesta antiga pastelaria de Alcobaça, fundada em 1957. “As cornucópias são a nossa imagem de marca, o doce que mais vendemos”, começa por dizer Paula Alves, realçando que, nesta casa, a receita do doce conventual é igual àquela que orientava as freiras do Convento de Cós, há cerca de cinco séculos.Esta iguaria é composta por uma massa fina, frita em azeite, que fica muito estaladiça, e por doce de ovos, onde a base são gemas e açúcar. Os ovos são partidos no momento e é também no momento que são separadas as claras das gemas. A Alcôa não usa ovos pasteurizados e mantém a tradição de fazer o doce em tacho de cobre.

Na cozinha, o trabalho é feito a várias mãos. É necessário mexer o doce cerca de 45 a 60 minutos sem parar, é preciso esticar a massa à mão, com ajuda de rolo, e há ainda que colocar a massa da cornucópia em pequenas formas, explica Paula Alves. Além da primeira qualidade da matéria-prima, é determinante a forma artesanal da confecção, realça Paula Alves. Além disso, sublinha, “há amor e carinho naquilo que fazemos todos os dias”.

Em 2013, a pastelaria Alcôa venceu o prémio da melhor cornucópia durante a Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais. Por isso, remata Paula Alves, “a nossa cornucópia fala por si”.

Entre os doces que passaram à fase seguinte do concurso encontra-se o pão-de-ló de Alfeizerão, outra especialidade do concelho de Alcobaça que a pastelaria Alcôa também confecciona. “O pão-de ló de Alfeizerão é feito só com ovos, açúcar e farinha. É um pão-de-ló húmido e cremoso por dentro”, explica Paula Alves.

Neste doce, “a grande ciência está no tempo da cozedura, para que esteja cozido por por fora e em creme no interior”, salienta a pasteleira. Paula Alves explica que o pão-de-ló de Alfeizerão tema sua origem no convento cisterciense feminino, o Mosteiro de Santa Maria de Coz. E acrescenta que, já no século XIX, numa das visitas do rei D. Carlos I à zona de Alfeizerão, talvez por lapso, o pão-de-ló apresentado ao monarca estava mal cozido. Mas D. Carlos I terá apreciado tanto o doce, assim mal cozido, que a partir daí todas as fornadas passaram a ser cozidas daquela forma.

Recentemente, a pastelaria Alcôa foi desafiada pela TAP para confeccionar milhares de pães-de-ló em miniatura para sobremesa da classe executiva, congratula-se Paula Alves.

Mas o seu grande objectivo, realça, é manter sempre a Alcôa como marca prestigiada, fiel à tradição, ao artesanato. Tal e qual como está. A massificação das lojas está totalmente fora dos seus horizontes, diz a pasteleira.

Mãos experientes

Das mãos de Clara Silva, de 58 anos, saem brisas do Liz há 45 anos. É pasteleira na LuziClara, há 28 anos, mas antes da inauguração desta pasteleira, em Leiria, já se dedicava ao ofício. “O início desta longa história, desta caminhada é muito anterior.

Foi no piso superior desta casa que tudo começou”, recorda Clara Silva. “Foi a minha saudosa Tia Luzia, uma verdadeira mestre e mãe, que me desafiou a trabalhar junto dela no dia de Corpo de Deus de 1974. Incentivou-me logo a pôr as 'mãos na massa', ou melhor dizendo, na amêndoa. Comecei a pelar a amêndoa e assim fiz as minhas primeiras brisas do Liz seguindo os seus sábios ensinamento

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