Sociedade

Pedrógão Grande: três anos depois da tragédia ordenamento florestal é inexistente

12 jun 2020 16:14

O tempo quente e seco está à porta. As limpezas aos terrenos começaram este ano mais tarde, mas há problemas que perduram. A falta de ordenamento florestal continua e a tragédia de Pedrógão Grande vai voltar a repetir-se. Falta saber quando

O dia 17 de Junho de 2017 dificilmente será apagado da memória dos portugueses.

No pacato concelho de Pedrógão Grande a data nunca será esquecida.

O incêndio que deflagrou há três anos em neste concelho do norte do distrito de Leiria e que alastrou a concelhos vizinhos provocou a morte de 66 pessoas e 253 feridos, sete dos quais graves, e destruiu cerca de meio milhar de c asas e 50 empresas.

Mais de dois terços das vítimas mortais (47 pessoas) seguiam em viaturas e ficaram cercadas pelas chamas na Estrada Nacional (EN) 236-1, entre Castanheira de Pera e Figueiró ou em acessos àquela via.

Três anos depois a EN 236-1 tem as faixas de gestão de combustível limpas.

Tudo parece normal, não fossem os pequenos ramos de flores deixados em homenagem a quem perdeu a vida.

Em muitas zonas do IC8 está-se agora a proceder à limpeza das bermas, mas olhando para toda a floresta de Pedrógão Grande, sobretudo, e dos seus concelhos vizinhos, verifica-se que pouco se aprendeu com a tragédia.

A Comissão Técnica Independente, que avaliou os factos relativos aos incêndios de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Oleiros e Sertã, deixou sugestões que se deveriam aplicar na reflorestação.

“Das estratégias de prevenção destacam- se alguns princípios de silvicultura que se relacionam directamente com a gestão de biomassa florestal. As tipologias ‘mosaico’ e ‘rede primária de faixas de gestão de combustível’ devem ser trabalhadas nessa perspectiva”, lê-se no documento elaborado por vários especialistas.

Segundo refere o relatório estas opções, entre outras, “passam pela promoção da compartimentação das manchas florestais puras através de plantações novas, ou reconversões, ou ainda adensamentos, com outras espécies arbóreas ou arbustivas, nas redes de defesa da floresta contra incêndios ou em manchas mais alargadas a elas associadas”.

Domingos Xavier Viegas, um dos espec ialistas responsáveis pelo relatório, admite ao JORNAL DE LEIRIA que “houve algum trabalho na EN236, no IC8 e na vegetação junto às casas”.

Uma situação “que ac abou por melhorar um pouco por todo o País”. “O que se nota de diferente é a gestão da floresta nas áreas ardidas , com árvores queimadas e a regeneração do eucalipto. Passados três anos, boa parte da região exibe matagais, que podem resultar numa situação complicada”, alerta.

O também director do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial sublinha que a “regeneração foi completamente desordenada”, verificando- se “a proximidade de árvores e de ramos, o que resulta numa vegetação quase impenetr&

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