Sociedade

Os descendentes dos colonos dos Milagres

11 abr 2019 00:00

Leiria | A freguesia dos Milagres acolheu a primeira de várias colónias agrícolas que o Estado Novo criou numa tentativa de povoar algumas regiões do País. Pela voz de alguns descendentes dos antigos colonos recordamos algumas memórias desses tempos

Fotografia: Jornal O Século
Fotografia: Ricardo Graça
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Maria Anabela Silva

Não fossem as placas toponímicas ainda erguidas ao longo da estrada que liga a sede de freguesia e Bidoeira, e o mais provável é que o que resta da antiga Colónia Agrícola dos Milagres passasse despercebido.

Muitos dos terrenos baldios que o Estado Novo tentou domesticar com searas (trigo, centeio e milho) estão hoje ocupados com floresta (pinheiro e eucalipto). Outros foram urbanizados ou encontram- se incultos. Aqui e ali, há ainda parcelas cultivadas.

Dos equipamentos colectivos (posto médico, forno comunitário, moagem e uma oficina tecnológica) nada resta. E todos antigos colonos já faleceram. Emília de Jesus, a última, morreu no início do ano, a caminho dos 92 anos.

Além das casas, muitas já alteradas, restam os descendentes desses colonos e as suas memórias de um projecto através do qual o Estado Novo procurou fixar pessoas à terra e combater o despovoamento de algumas regiões.

No total, foram sete as colónias criadas no País. A primeira, nasceu nos Milagres, em 1926, funcionando, durante algum tempo, como teste e ensaio às que lhe sucederam.

Docente e investigadora da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESESC) de Leiria, que fez a sua tese de mestrado precisamente sobre a Colónia Agrícola dos Milagres, Sara Mónico admite que a escolha da povoação para arrancar com este programa de colonização está relacionada com “uma forte pressão” nesse sentido do então director do Serviço de Baldios e Incultos, engenheiro Mário Pais da Cunha Fortes, e do pároco local, o padre José Ferreira Lacerda. É, diz, pelo menos isso que se percebe de um relatório do Ministério da Agricultura de 1935.

Por essa altura, habitavam na colónia cerca de 40 pessoas, número que cresceu para 84 em 1960. Os pais de Albertina Quitério foram dos primeiros colonos a chegar. Fixaram- se pouco depois da inauguração, vindos de uma aldeia vizinha, Mata dos Milagres.

Chegaram por intermédio do padre Lacerda, que, conhecendo as dificuldades da família - “não tínhamos casa nem terras” - propôs a sua instalação à Junta de Colonização. À sua espera tinham 18,5 hectares de terreno e uma casa modesta - “mais parecia um barracão em madeira” -, que mais tarde seria melhorada, com currais, equipados “com cisterna para os dejectos”, “três  

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