Sociedade

Mercado da Marinha Grande vai ser instalado no Parque Municipal de Exposições

23 mai 2020 09:43

Autoridade de Saúde não autorizou reabertura do espaço, que funciona numa tenda provisoriamente há cerca de 12 anos.

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O mercado municipal funciona num espaço coberto por uma lona
Ricardo Graça/Arquivo

A autoridade de saúde da Marinha Grande deu parecer desfavorável à reabertura do mercado da cidade, o que levou a Câmara a procurar alternativa, indo agora adaptar o Parque Municipal de Exposições para o efeito.

Cidália Ferreira, presidente do Município, explica que depois de ter informado a delegada de Saúde local da intenção de reabrir os três mercados do concelho, foi-lhe solicitado que cumprisse várias exigências na infra-esrutura da cidade.

“Poderíamos ter no local a venda de todos os produtos, à excepção da carne e do peixe. Garantimos que estariam cumprido o distanciamento entre as bancas e todos os requisitos que a própria Direcção-Geral da Saúde recomenda. Cumprindo tudo, não imaginaríamos que a delegada não permitisse a abertura do espaço”, justifica a autarca.

Para assegurar que os comerciantes possam continuar a vender e a população a ter os produtos locais, a Câmara vai instalar o mercado, provisoriamente, no pavilhão do Parque Municipal de Exposições, mantendo-se a proibição, para já, da venda de peixe e carne.

“Estamos a criar todas as condições para que seja possível abrir o mercado no mais curto espaço de tempo. Não posso adiantar uma data, uma vez que estamos dependentes do fornecimento de bancas e outros equipamentos, que já contratámos”, informa Cidália Ferreira.

A delegada de Saúde, Clarisse Bento, esclarece que o mercado actual está “provisório há, cerca de 12 anos, em tendas”.

“Se já não tinha as mínimas condições, perante uma situação de calamidade e com tudo rigorosamente igual, não se pode autorizar a sua reabertura. Avisámos que seriam necessários planos de contingência e um reforço da higienização. Numa tenda, não é possível garantir uma higienização correcta, nem uma ventilação natural. Tratando-se de uma lona há condensação e nos dias de calor é uma autêntica sauna”, justifica Clarisse Bento.

A delegada de Saúde lembra ainda que, nos últimos anos, tem alertado a autarquia para a falta de condições do mercado e, “em Setembro, reforçou-se a necessidade de ser substituído”.

Cidália Ferreira confirma que tem dialogado com a delegada de Saúde e que tem procurado encontrar uma solução, que esbarra na oposição da Câmara.

“Não tendo a maioria, cada um defende uma ideia e não se consegue fazer nada.”

“Tínhamos a possibilidade de adquirir uma parte do terreno onde está agora instalado provisoriamente [zona desportiva], mas a vereadora do MpM [Movimento pela Marinha] opôs-se. Fizemos uma auscultação à população, que indicou os estaleiros da Câmara como o melhor local. Por nós, poderia ter avançado. Ficava no centro da cidade e iria dinamizar a zona. Mas também não tivemos aprovação da oposição”, lamenta Cidália Ferreira.

Carta aberta à ministra da Saúde

O vereador do MpM, Aurélio Ferreira, enviou, entretanto, uma carta aberta à ministra da Saúde, Marta Temido, a convidá-la a visitar o “mercado das tendas”, que considera que “não tem, nem nunca teve, condições de higiene e salubridade, e a ausência de manutenção por parte da Câmara Municipal durante estes 12 anos agravou o problema”.

“Para que possa certificar-se in loco, convidamos a senhora ministra a visitá-lo, e, se for esse o entendimento de sua excelência, proceder à sua reabertura”, refere o documento, que defende a posição tomada pela delegada de Saúde.

Segundo Aurélio Ferreira, as instalações do espaço comprometem o “controlo de pragas, a limpeza e desinfeção”, há “ausência de climatização (chove no interior no inverno e no verão ressoa, pingando no espaço), as bancadas de venda estão muitíssimo degradadas e de materiais dificilmente higienizáveis (madeira)” e as casas-de-banho não têm “limpeza e higienização”.

O executivo da Câmara da Marinha Grande é constituído por três vereadores do PS, dois do MpM e dois da CDU. 

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