Sociedade

Autarca de Pedrógão Grande rejeita favorecimento em donativos

24 fev 2019 00:00

A conferência de imprensa terminou com uma visita ao armazém ocupado pela Cruz Vermelha, onde de facto se pode ver frigoríficos e outros eletrodomésticos com uma folha A4 com o nome da instituição, e à Loja Social do município.

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Jacinto Silva Duro

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande explicou hoje que a autarquia se limitou a ceder espaços para acolher donativos para as vítimas dos incêndios de 2017, rejeitando suspeitas de favorecimento.  

Em conferência de imprensa, convocada para refutar as acusações de favorecimento e açambarcamento de ofertas relatadas pela TVI, Valdemar Alves reafirmou a transparência do processo por parte da autarquia.  

"Os electrodomésticos que estão num armazém da autarquia são da Cruz Vermelha/Revita, responsável pela gestão do apetrechamento das habitações" ardidas no incêndio de Junho de 2017, que causaram 66 mortos e destruíram centenas de habitações, explicou Valdemar Alves.  

O presidente da Câmara disse que o município cedeu o antigo pavilhão gimnodesportivo da vila para a Cruz Vermelha depositar electrodomésticos, desde frigoríficos a máquinas de lavar roupa e micro-ondas, que serão depois utilizados no apetrechamento das casas reconstruídas nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Viseu.  

As instalações servem também a SIC/Esperança e os bombeiros voluntários de Pedrógão Grande.  

Valdemar Alves acrescentou que os materiais de construção doados ao município têm sido distribuídos a "quem deles tem necessitado para a reconstrução das suas habitações".  

Relativamente a outros bens, como móveis usados, roupa e colchões, o autarca referiu que "estão à disposição de todos os que têm precisado, sejam do concelho ou não".  

"Ajudámos e ajudamos pessoas vítimas de outros concelhos afetados pelos fogos de 2017, basta que as pessoas se dirijam à Loja Social que está aberta todos os dias da semana", disse.  

Segundo o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, existem, no momento, 23 casas a serem apetrechadas em Pedrógão Grande, oito em Castanheira de Pera e uma em Figueiró dos Vinhos.  

O autarca disse ainda que está concluída a recuperação de 142 primeiras habitações e que estão em reconstrução mais 25 casas, das quais três estão suspensas por decisão do conselho de gestão Revita.  

Valdemar Alves confirmou ainda que a conta solidária do município apresenta um saldo 358.642,76 euros, "que está publicado no site do município, e que os únicos débitos registados se referem à compra de animais para as pessoas afetadas que os "tenham solicitado".  

"Não se deu ainda destino a esse dinheiro porque inicialmente ainda não se sabia se iria haver necessidade de se completar alguma falha no apoio à reconstrução das habitações", salientou o presidente da Câmara, que gostaria de ver o dinheiro aplicado na limpeza das ruínas de edifícios que não foram nem serão reconstruídos.  

Aos jornalistas, o líder do executivo municipal de Pedrógão Grande disse que, "genericamente, todas as pessoas já foram compensadas pelo Estado" pelos prejuízos que sofreram.  

A conferência de imprensa terminou com uma visita ao armazém ocupado pela Cruz Vermelha, onde de facto se pode ver frigoríficos e outros eletrodomésticos com uma folha A4 com o nome da instituição, e à Loja Social do município.

Agência Lusa/Jornal de Leiria