Sociedade

Amianto continua presente no dia-a-dia de milhares de pessoas

17 jan 2019 00:00

Escolas, tribunais, museus e centros de saúde estão entre os mais de 70 edifícios públicos que o Estado identificou, em 2016 como contendo amianto na sua construção

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A Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, em Leiria, foi um dos estabelecimentos que não chegaram a ser intervencionados no âmbito da requalificação do parque escolar lançado pelo governo socialista de José Sócrates.

Esta é uma das 27 escolas da região, com cobertura de amianto e cuja degradação já é visível a olho nu. As infiltrações em tectos e paredes – como o JORNAL DE LEIRIA revelou na semana passada – são muitas, assim como as falhas no telhado, com a chuva a cair dentro de algumas salas. Mas este não é caso único.

A Escola 2,3 D. Dinis, no centro de Leiria, reclama a retirada de amianto há vários anos. O fibrocimento só foi removido do pavilhão gimnodesportivo depois de uma posição de força dos encarregados de educação, que fecharam a escola a cadeado, cansados de tantos pedidos à tutela sem resposta.

Mas toda a estrutura onde estudantes, professores e funcionários passam várias horas diariamente, em alguns casos durante anos, continua forrada a amianto. “Toda a comunidade educativa está preocupada.

Esta direcção tomou posse em Junho de 2018 e os pais pediram de imediato uma reunião para nos sensibilizar para o que se pode fazer. A primeira medida que tomámos foi pedir um orçamento para monitorizar a qualidade do ar, que enviámos à Direcção- Geral dos Estabelecimentos Escolares em Dezembro”, revela Jorge Camponês, director do Agrupamento de Escolas D. Dinis.

O director sublinha que o objectivo é “tranquilizar” a comunidade, garantindo que não há partículas de amianto no ar, que possam ser inaladas e causar problemas de saúde. “Os alunos são uma preocupação nossa, mas não nos podemos esquecer que nós, professores, trabalhamos aqui 20 e 30 anos. Temos uma exposição bastante prolongada.”

Jorge Camponês afirma que vai aguardar por uma resposta da DGEstE, mas se a mesma tardar ou for negativa, os pais dos cerca de 700 alunos já avisaram que vão tentar assumir o custo da monitorização, orçamentada em 1118 euros, acrescido de IVA.

“A escola não tem receitas próprias. Tudo o que nos chega do Orçamento do Estado é para rubricas previamente fixadas, nomeadamente, para a gestão corrente.”

Com 38 anos, a Escola D. Dinis nunca sofreu uma intervenção profunda. “Existem problemas estruturais nos blocos. O frio é constante e todas as direcções que por aqui passam têm efectuado relatórios que enviam ao Ministério da Educação”, explica.

Amianto no tribunal de Peniche

No Tribunal de Peniche o cenário não é muito diferente. O telhado está totalmente coberto com telhas de fibrocimento.

As infiltrações em todo o edifício são visíveis. A chuva cai dentro de algumas salas, infiltrando-se pelos candeeiros, o que aumenta o risco de curto-circuito. A sala dos advogados tem fissuras graves no tecto e o chão está levantado, devido à humidade e chuva que cai no local.

Os Números
194
mil pessoas terão morrido de cancro, por exposição ocupacional ao amianto, refere o estudo Risk Factors Collaborators, publicado em 2015

115
toneladas é o número estimado de amianto consumido em Portugal ao longo dos anos. Há 600 mil hectares de coberturas de edifícios de fibrocimento com amianto

Este foi um material utilizado na construção, sobretudo, nas décadas de 70 e 80, até ser proibido pela União Europeia, em 2005. Desconhecendo-se, então, os riscos para a saúde, o amianto foi escolhido por ser uma 

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