Sociedade

Presidente da República e Município de Leiria lamentam falecimento de José Luís Tinoco

16 abr 2026 13:37

A Presidência da República e o município de Leiria publicaram notas de pesar a lamentar o desaparecimento de José Luís Tinoco que ocorreu na noite de 15 de Abril.

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José Luís Tinoco tinha 93 anos
Ricardo Graça/Arquivo

A Presidência da República e o município de Leiria publicaram notas de pesar a lamentar o desaparecimento de José Luís Tinoco que ocorreu na noite de 15 de Abril.

Com o falecimento de José Luís Tinoco, compositor, artista plástico e arquitecto natural de Leiria, a presidência da república lançou uma nota de pesar, onde o relembra “a sua personalidade discreta, amável e entusiástica”, além do seu “talento extraordinário e multidisciplinar.”

Leia aqui a entrevista de vida "Sou José Luís Tinoco, autodidacta", publicada no JORNAL DE LEIRIA a 9 de Maio de 2013

Esta nota ressalta, também, o trabalho de José Luís Tinoco nas artes plásticas e na música, onde, por exemplo, “ninguém poderá esquecer o trabalho o modo como interpretou a obra de José Rodrigues Miguéis” e “estabeleceu pontes entre o jazz […], o rock, a música ligeira e até o fado”.

Na nota de pesar publicada pelo Município de Leiria, é relembrado o facto de esta figura ter sido “uma figura maior da cultura portuguesa e um dos mais conceituados nomes da cultura leiriense”.

O Município recorda, ainda, que “em 2016, José Luís Tinoco foi agraciado pelo Município de Leiria com a Medalha de Prata da Cidade” e que “em 2022, por ocasião do seu 90.º aniversário, voltou a ser homenageado pelo Município, sublinhando-se então a dimensão excecional de um criador natural de Leiria”.

Nota de pesar Presidência da República:
 
No desaparecimento de José Luís Tinoco (1932-2026), o Presidente da República não pode deixar de relembrar a sua personalidade discreta, amável e entusiástica, nem o seu talento extraordinário e multidisciplinar.
 
José Luís Tinoco transitou entre a arquitetura — a sua área de formação escolar, onde deixou uma obra reconhecida e reconhecível pelos traços originais e pelas inovações que impôs nesse segundo modernismo dos anos 50 —, o design, a pintura e a música com o mesmo talento, criatividade e entusiasmo que marcaram a sua vida. No design e nas artes plásticas ninguém poderá esquecer o modo como interpretou a obra de José Rodrigues Miguéis para desenhar as capas da obra completa deste grande escritor, ou como, já a partir dos anos 60, e com grande entusiasmo, apresentou exposições individuais e participou em coletivas de pintura, ou desenvolveu parcerias em trabalho com escritores (como António Lobo Antunes).
 
Também não podemos esquecer que foi responsável por inúmeros trabalhos na área do design filatélico — alguns deles perpetuam de forma especial o seu génio e a história da filatelia portuguesa.
 
Mas foi na música, onde estabeleceu pontes entre o jazz (tanto em orquestras como em presenças mais intimistas, ao lado de Mário Laginha ou Bernardo Sassetti), o rock, a música ligeira e até o fado, que José Luís Tinoco é mais reconhecido pelo grande público.
 
Escreveu letras ou compôs canções que vão permanecer na nossa memória, como “Saudade”, dos Trovante, “No teu Poema”, de Carlos do Carmo, “Madrugada”, de Duarte Mendes (vencedora de um festival da canção) ou as músicas de “Um Homem na Cidade” e “O Amarelo da Carris”, para versos de José Carlos Ary dos Santos, bem como outras composições para poemas de Pedro Tamen e Yvette Centeno.
 
Os seus trabalhos, como a sua vida, foram o refúgio e a alma de um humanista para quem as artes estabeleciam contactos e colaborações permanentes ou invisiveis. Música, arquitetura, pintura, design em geral, ilustração ou cenografia para teatro — nenhum mundo lhe era estranho quando celebrava a alegria da criação.
 
Neste dia triste, o Presidente da República e os portugueses não podem deixar de o recordar com emoção.

Nota de pesar Município de Leiria:

O Município de Leiria manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de José Luís Tinoco, ocorrido esta quarta-feira, aos 93 anos.

Natural do concelho de Leiria, José Luís Tinoco foi uma figura maior da cultura portuguesa e um dos mais conceituados nomes da cultura leiriense, distinguindo-se por um percurso absolutamente singular nas áreas da arquitetura, da pintura, da ilustração, do desenho, das artes gráficas e da música.

Ao longo de várias décadas, afirmou-se como um criador de excecional densidade intelectual e artística, pautando o seu percurso por uma permanente inquietação criativa, por uma exigência invulgar e por uma profunda recusa do fácil.

A sua obra, plural e marcante, deixou contributos relevantes em diferentes domínios da criação contemporânea, da arquitetura à pintura, da ilustração ao cartoon, da conceção gráfica à composição musical, sempre com uma linguagem própria e um pensamento independente.

Na arquitetura, na pintura e nas artes visuais, construiu um percurso de reconhecido mérito, que o afirmou como um autor de referência no panorama cultural português.

Também na música deixou uma marca indelével, como compositor e instrumentista, sendo autor de obras incontornáveis da cultura portuguesa.

Em 2016, José Luís Tinoco foi agraciado pelo Município de Leiria com a Medalha de Prata da Cidade, em reconhecimento pelo seu percurso de excelência e pelo prestígio que conferiu a Leiria.

Em 2022, por ocasião do seu 90.º aniversário, voltou a ser homenageado pelo Município, sublinhando-se então a dimensão excecional de um criador natural de Leiria, cuja vida foi pautada pela aprendizagem constante, pela insatisfação criativa e por uma grande exigência na procura da qualidade do seu trabalho. Com o falecimento de José Luís Tinoco, Leiria perde um dos seus mais ilustres filhos e a cultura portuguesa perde um criador notável, de obra vasta, original e duradoura, cujo legado permanecerá como referência para as gerações futuras. Neste momento de dor e consternação, o Município de Leiria associa-se ao luto da família e amigos, endereçando-lhes as mais sentidas condolências.