Editorial
Filarmónicas sem fronteiras
A arte tem muitas vezes a capacidade de promover uma ligação com a diferença, de provocar estranheza, mas também união, que se entranha, de abolir muros e estabelecer pontes para o futuro
Por estes dias, Leiria recebe o primeiro encontro Bebés na Comunidade, sobre inteligência artificial e práticas artísticas na primeira infância. De acordo com o programa, vai falar-se de ética das novas tecnologias, abordagem centrada no humano, novos modelos de educação e seres vegetais como fonte de inspiração criativa.
A mediação é de Paulo Lameiro, antigo músico da filarmónica dos Pousos, a SAMP, instituição com raízes no século XIX.
A arte tem muitas vezes a capacidade de promover uma ligação com a diferença, de provocar estranheza, mas também união, que se entranha, de abolir muros e estabelecer pontes para o futuro. É frequentemente um lugar de descoberta e diversidade.
Esta semana, o ensemble Solistas SAMP atravessou o Atlântico para levar música portuguesa ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, durante a conferência internacional da WASBE no Brasil, e antes os bailarinos leirienses António Casalinho e Margarita Fernandes, actualmente no elenco da Ópera de Viena, na Áustria, regressaram temporariamente ao palco do Teatro José Lúcio da Silva.
Nos próximos dias, O Nariz inicia no castelo de Leiria mais uma edição do Criajazz, que abre com o guitarrista Mario Pousada, originário de Huelva, no Sul de Espanha, para um concerto em que se cruzam tradições do Mediterrâneo, do Médio Oriente, dos Balcãs e do Norte de África, e o Leirena organiza em Porto de Mós mais um festival de teatro de rua, com grupos amadores, desta vez inspirado pela multiculturalidade, num concelho em que estão presentes cerca de 50 nacionalidades.
As filarmónicas são organismos com uma longevidade rara: na maioria dos casos atravessam três séculos, sem nunca perderem o cariz popular. Mais do que escolas de música e de vida, fomentam igualdade e acesso.
Com intervenção do movimento filarmónico, o Teatro José Lúcio da Silva prepara-se para acolher um dos eventos mais especiais da temporada: o projecto de integração social Filarmonias reúne jovens talentos de Angola, Brasil, Ucrânia e Venezuela, que, com o apoio do Município de Leiria e de várias filarmónicas do concelho, nos últimos meses frequentaram aulas de música e aprenderam a tocar numa banda.
No próximo sábado pela tarde, apresentam-se ao vivo, como uma autêntica orquestra sem fronteiras.