Abertura

Cuidados intensivos do hospital de Leiria, onde os milagres acontecem

26 nov 2020 09:44

Ao Serviço de Medicina Intensiva vão parar os doentes mais graves. O número reduzido da equipa é esquecido pelo empenho de todos. Dizem que não são heróis, mas parecem sê-lo

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A pandemia obrigou o serviço de Medicina Intensiva do hospital de Leiria a reorganizar-se.
Ricardo Graça

“Não acredito em milagres, mas se os há, acontecem aqui todos os dias com muito sacrifício e trabalho.”

Luís Pereira, director do Serviço de Medicina Intensiva, é um homem sorridente, bem-disposto, com um humor refinado que faz esquecer o cenário de um local onde se luta pela sobrevivência dos pacientes.

Estas características são formas de desanuviar a pressão constante de quem lida com os doentes “mais graves, entre os mais graves”, e em risco de vida, nos cuidados intensivos do Hospital de Santo André (HSA), unidade do Centro Hospitalar de Leiria.

No último andar do HSA a luz natural invade todo o piso dos cuidados intensivos, agora dividido em doentes Covid, não Covid e cardíacos. A azáfama é constante.

Enfermeiros, médicos e auxiliares não param. Nesta unidade os doentes “descompensam facilmente”. Toda a atenção é pouca.

Os números

55

é o número total de camas nos cuidados intensivos que o hospital de Santo André pode disponibilizar, se accionar o nível 5 do seu plano de contingência. Actualmente, está em vigor o nível 3

6

é o número de médicos do quadro do hospital de Leiria, que conta ainda com a colaboração de prestadores de serviços externos. “Só que os colegas intensivistas de outros hospitais também estão saturados pelo trabalho nos seus hospitais”, constata Luís Pereira
 

4

é o máximo de horas que os profissionais de saúde podem ficar na área de isolamento dos cuidados intensivos restritos à Covid-19. O equipamento individual que vestem é de tal modo compactante, que se torna insuportável tê-lo vestido mais de quatro horas. O ideal são duas horas. Mais de quatro começa a provocar confusão mental, explica Luís Pereira

A área Covid é altamente restrita. Há doentes isolados em quartos (quatro), outros dividem uma sala com várias camas com o distanciamento necessário. Em comum têm o facto de todos estarem ligados a uma máquina.

Ventilados de forma invasiva ou não invasiva, o ritmo cardíaco, a pressão arterial, o nível de oxigénio, as funções renais, a medicação ou a alimentação por sonda são monitorizados a todo o instante.

Os doentes estão ladeados por fios e tubos, que contribuem para a sua sobrevivência. A panóplia de equipamentos é grande, mas sua actuação e as informações que fornecem são essenciais para a vida do paciente.

Depois de almoçar, Micael Inês, um dos enfermeiros dos cuidados intensivos, entrou para substituir uma das colegas que já estava a trabalhar na área isolada há, pelo menos, duas horas. Depois de toda a informação ser passada, Micael pergunta se alguém precisa de ajuda e faz uma ronda pelos doentes.

Em pouco tempo, resume ao JORNAL DE LEIRIA as principais funções dos equipamentos que estão ligados aos utentes. O ventilador faz com que os alvéolos funcionem para que as trocas gasosas se realizem e “permite oxigenar o sangue”. Há cateteres ligados aos pontos nevrálgicos do corpo, que transmitem informação sobre a press&

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