DEPRESSÃO KRISTIN
Câmara gasta 4 ME a reparar o estádio para receber a selecção nacional a 10 de Junho
Estes trabalhos servirão para tornar a infra-estrutura das condições necessárias para a envergadura do evento, apesar de não representarem a totalidade das obras
A reparação do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, vai custar cerca de 4 milhões de euros à Câmara Municipal, obra que servirá para tornar o complexo desportivo seguro e apto a receber a selecção nacional de futebol, que terá último jogo de preparação para o Mundial a 10 de Junho naquele relvado.
No âmbito de uma visita de uma comitiva da Federação Portuguesa de Futebol a Leiria, que realiza esta tarde a reunião de direcção descentralizada no território, o presidente da autarquia, Gonçalo Lopes, sublinhou que o objectivo "é colocar o desporto o mais rápido possível a funcionar junto das populações mais jovens"
“É para nós um grande desafio termos a selecção nacional no dia 10 de Junho e temos de fazer uma obra ainda significativa no estádio, que está orçada em quatro milhões de euros e será das obras que vamos tentar fazer com maior envergadura para conseguir ter as condições – que não serão as ideais, mas serão as capazes – para receber o expoente máximo do desporto em Leiria”, afirmou, esta manhã, o autarca.
O jogo da selecção nacional em Leiria terá um carácter solidário, com as receitas da bilheteira a reverter para os clubes e associações mais afectados pela tempestade Kristin.
Para Gonçalo Lopes, o dia 10 de Junho terá um duplo significado, uma vez que também se dará a conhecer ao público os trabalhos de reabilitação do Jardim Luís de Camões.
“Vai ser um dia marcante para terminar esta primeira fase, que é a fase mais emergente, mais operacional”, determinou.
No momento de assinatura de um protocolo entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a Câmara Municipal de Leiria e a Associação de Futebol de Leiria, para aprofundar a cooperação entre todos, o presidente desta última instituição, Carlos Carvalho, lembrou os danos provocados pela tempestade Kristin nos clubes do distrito.
Com 125 instituições filiadas, “70% desses clubes sofreram danos devido à depressão. Alguns deles sofreram danos irreparáveis, com pavilhões totalmente destruídos, campos de futebol com árvores a danificar as bancadas, com os sistemas de aquecimento e os painéis solares a voarem, as balizas partidas, os holofotes, entre outros. Isto foi, para o futebol distrital, um momento bastante triste”, constatou.
O dirigente enalteceu o trabalho dos dirigentes associativos, “todos eles benévolos”, que “depois de terem de resolver os seus problemas pessoais com casas também sem telhados, com árvores caídas, sem luz, sem água e sem telecomunicações, ainda estão a ter força para juntar as suas comunidades, os pais dos atletas e aos poucos estão a tentar reerguer os clubes”. “Nas pequenas vilas e pequenas aldeias, o clube desportivo, a associação cultural e recreativa é a única forma que há de coesão entre aquela população, onde as gentes se reúnem, conversam, onde transmitem e partilham as suas alegrias e as suas tristezas”.
O presidente da FPF, Pedro Proença, reconheceu que este é um momento “difícil” e, por isso, vão dinamizar “um conjunto de iniciativas que possam, de alguma maneira, minimizar o esforço para este processo de retoma”. “Toda a estrutura da Federação Portuguesa de Futebol está empenhadíssima para que rapidamente possamos ter o restabelecimento da normalidade”, continuou.
Como exemplo, o dirigente referiu que “ainda hoje” transmitiu à União de Leiria a disponibilidade das instalações da Cidade do Futebol para receber os jogos dos campeonatos profissionais.
Pedro Proença reconheceu que Leiria “é um município que acredita muito no desporto” e garantiu que a FPF estará “presente” na reconstrução da modalidade na região.