Opinião

Um país em “estado de festa”

19 ago 2016 00:00
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Moisés Espírito Santo, sociólogo

A festa é um fenómeno social dos mais relevantes e primitivos da Humanidade.

Tem a função de recriar um momento de fraternidade e de igualdade sociais, de reviver a Humanidade primitiva, a união entre humanos e divindades e entre vivos e mortos.

A religião re-liga humanos e divindades, a festa assimila os humanos numa comunidade. As festas são eventos estabelecidos em calendários estáveis, geralmente ciclos astrais ou relacionados com o estado da terra, a evolução da vegetação e, daí, com a agricultura.

Sendo estes calendários estáveis, eles são previsíveis, como eixos entre dois tempos sociais, o tempo “antes” e o tempo “depois”. As festas só são impedidas pelas guerras (que são o seu contrário).

Já dissemos aqui que a actual Páscoa já era celebrada no século XX a.C , na primeira lua cheia depois do equinócio da Primavera. O Natal foi a festa do solstício de Inverno; já o São João foi a do solstício de Verão. No momento presente temos o 15 de Agosto (e os dias imediatos). No passado do nosso País, foi a festa por excelência, chamada “de Santa Maria de Agosto”.

Neste dia há centenas de festas em todo o País em honra de Nossa Senhora. Acrescentam-se-lhes outras mais recentes oriundas do fenómeno moderno das férias laborais. Nesta época do ano, Portugal é um país “em estado de festa”.

Os antigos documentos portugueses estabeleciam este dia como um marco no calendário político, “a Santa Maria de Agosto”, nomeadamente para contratos e pagamento de impostos e de rendas. Na cultura espanhola, esta data também está muito presente, mas pouco nas sociedades de além Pirinéus.

*Sociólogo

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