Opinião

“Tiro o chapéu” a Merkel e a Schulz

15 fev 2018 00:00

Na moderna linguagem económica tem-se a mania de que um negócio é bom para os negociadores se for win-win, ou seja, se ganharem ambos.

Meu Caro Zé,

Neste mundo de interesses egoístas, pessoais, de grupo, designadamente de partidos políticos, de nacionalismos exacerbados (de que os migrantes são as principais vítimas) não posso deixar de tirar o chapéu à atitude da sra. Angela Merkel e do sr. Martin Schulz.

Apesar das críticas dos seus próprios partidos, em queda nas sondagens, ainda maior do que aquela que já sofreram nas últimas eleições, persistiram na continuação das difíceis negociações até terem encontrado uma solução confessadamente dolorosa para ambos.

Este facto impõe-me um olhar sobre as relações humanas, sejam interpessoais sejam interinstitucionais sejam internacionais. E faço-o a partir de uma noção básica em economia de “custo de oportunidade” – esse custo é o valor que atribuímos à alternativa mais valiosa, que tivemos de deixar de lado.

Repara Zé que o que custa é o que deixamos de lado, o que não pudemos escolher, o que significa que em toda a escolha que o indivíduo faz há sempre um custo envolvido, ou seja, uma abdicação de algo.

Então, quanto mais não terá de se abdicar numa escolha a dois, e mais ainda quando muitos estão envolvidos. Na moderna linguagem económica tem-se a mania de que um negócio é bom para os negociadores se for win-win, ou seja, se ganharem ambos.

É evidente que estas condições não ocorrerão na vida na maioria das situações porque, como é evidente, não superam os egoísmos individuais. Uma solução estabelece-se quando é encontrada uma em que ambos concordem (tendo em atenção, portanto, um objetivo comum), o que, por sistema, implica abdicação.

E este é o exemplo que Merkel e Schulz dão, pois encontraram um objetivo comum de defesa da Alemanha e, muito provavelmente, ligado à defesa e concretização do que é habitualmente designado por “projeto europeu”, que como “projeto” é sempre algo em construção (ou será destruição?)

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