Opinião
Tempo para abrandar
Descansar é uma necessidade psicológica que nos traz muitos benefícios: protege a saúde mental, melhora recursos cognitivos como a atenção e a capacidade de tomar decisões
Sabemos que agosto é, por excelência, o mês das férias de verão. No entanto, diria que é o próprio verão que se assume como a época privilegiada para abrandar o ritmo. Talvez uns escolham esta altura do ano porque preferem o tempo quente; outros, porque precisam de ocupar o vazio deixado pela paragem letiva.
Mas, seja pela razão que for, as férias devem sobretudo servir o seu propósito: descansar. Na realidade, esta pausa do trabalho é um período de recuperação necessário.
O stress da rotina desgasta-nos e ninguém é de ferro. Interromper a exposição continuada às exigências diárias é fundamental e desengane-se quem acha que descansar é um luxo ou sinal de improdutividade.
Descansar é uma necessidade psicológica que nos traz muitos benefícios: protege a saúde mental, melhora recursos cognitivos como a atenção e a capacidade de tomar decisões, traz-nos maior disponibilidade emocional e favorece a qualidade das interações. Descansar aumenta, por isso, a nossa capacidade para enfrentar os desafios que hão de vir.
A receita é simples: desligar das obrigações profissionais, dormir o suficiente, evitar transformar as férias numa agenda repleta de compromissos e deixar algum espaço para o “logo se vê”, respeitando as necessidades e as preferências de cada um.
As férias não têm de ser produtivas nem precisam de se parecer com as dos outros. Se não houver conteúdo “instagramável” para publicar nem um regresso ao trabalho cheio de projetos novos, tudo bem na mesma. A verdadeira pergunta talvez seja outra: serenou? E, já agora, houve tempo para deixar de adiar o que realmente importava?
Visitar aquela tia, marcar aquela consulta, ver aquele filme ou simplesmente estar com quem mais gosta. As férias devolvem espaço para cuidar de várias dimensões da vida: os afetos, a saúde e o prazer. Porque, às vezes, descansar é voltar a ter tempo para aquilo que realmente conta.
Tomar as rédeas do nosso tempo, mesmo que por poucos dias, devolve-nos a sensação de controlo sobre a vida. E isso é libertador.
Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990