Opinião
Stress a stress, enche o copo
Não podemos viver permanentemente assoberbados, mesmo quando compreendemos a origem do nosso stress
No mês de outubro assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data que, desde 1992, procura sensibilizar para a importância da saúde mental, reduzir o estigma a ela associado e promover políticas de acesso universal aos cuidados.
A esse propósito, falo-vos do stress, um fator que pode agravar problemas de saúde mental e física.
O stress é uma resposta biológica essencial à sobrevivência, moldada ao longo da evolução humana. Contudo, a natureza das ameaças que enfrentamos mudou e muitas já não são pontuais, nem desaparecem quando termina o acontecimento que as desencadeou.
Ouso, por isso, afirmar que o stress de agora não é como o de outrora. O de agora tende a prolongar-se no tempo, pois as exigências atuais dificultam os momentos de pausa e recuperação.
O estilo de vida que levamos, aliado à capacidade humana de recordar, antecipar e imaginar, pode manter-nos presos a preocupações que nem sempre conseguimos deixar para trás.
O nosso corpo mobiliza energia e ativa mecanismos fisiológicos que nos preparam para agir perante uma ameaça. Quando o perigo passa, espera-se que estes sistemas recuperem o funcionamento habitual. Há um ligar e um desligar.
No caso do stress crónico, há uma ativação repetida ou persistente destes mecanismos, e isso pode comprometer a regulação do organismo e afetar o nosso bem-estar.
Assim, reconhecer sinais de stress antes de se chegar ao limite é fundamental. Irritabilidade, tensão muscular, cansaço persistente e sono alterado podem ser sinais de stress prolongado.
Estabelecer limites à disponibilidade permanente é também essencial, assim como proteger o tempo de descanso, assegurando um sono suficiente e reparador.
Depois, há que distinguir o que podemos mudar e o que temos de aprender a enfrentar. Não podemos viver permanentemente assoberbados, mesmo quando compreendemos a origem do nosso stress.
Há situações que nos mantêm sob pressão durante anos e, nesses casos, não basta aprender a suportá-las: é importante procurar ajuda.
Estar ligados às exigências da vida não deve desligar-nos de nós próprios.