Opinião

Rascunhos de Verão

26 ago 2017 00:00
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Paulo Kellerman, escritor

Fio

«Imagina que és um papagaio de papel a voar entre as nuvens, no meio do céu azul. Sabes aquele fio fininho e quase invisível que te prende à terra e te guia, que te dá sentido e orientação? É como a memória. Se não fosse esse fio, andavas simplesmente às voltas, perdido no vento.» Diz o avô ao neto.

Estória de amor I

Era uma vez uma sereia que se apaixonou por um marinheiro. Seguiu o seu barco durante anos e anos e anos, à espera que ele a olhasse. E um dia, ele olhou-a. Nervosa, ela disse: «O meu sonho é plantar um jardim contigo. E vê-lo crescer.» O marinheiro sorriu e respondeu: «Adoro sonhos impossíveis.»

Estória de amor II

O marinheiro construiu uma cabana numa falésia com vista para o mar; nas traseiras, havia uma pequena lagoa, onde a sereia nadava e o marinheiro passeava de canoa. Ao fim da tarde, cuidavam juntos do jardim que todos os dias crescia mais um pouco. E diziam um ao outro: «Não há sonhos impossíveis.»

Uma azeitona

O menino encontra uma azeitona no chão. Pega-a delicadamente e, com um sorriso no olhar, aproxima-se do avô, estende-lhe a mão. «Que se passa? Que tens aí?», pergunta o avô. O menino estende a mão com a azeitona e sorri ainda mais: «Trouxe-te uma árvore.»

Raízes no bolso

O avô apanha um punhado de terra e coloca-a no bolso das calças. Depois, apanha um novo punhado de terra e coloca-o no bolso das calças do neto. Responde ao seu olhar interrogador: «Faz de conta que somos árvores. E precisamos alimentar as nossas raízes, não é?»

Iupi?

 

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