Opinião
Quando faltam estudantes: o maior desafio do Politécnico de Leiria
Em apenas três anos, o Politécnico de Leiria perdeu 903 estudantes relativamente ao seu máximo histórico. Trata-se de uma evolução que contrasta com a tendência nacional
A demografia constitui um dos maiores desafios estruturais de Portugal e terá, inevitavelmente, um impacto profundo no futuro do ensino superior. A redução do número de nascimentos é uma realidade incontornável e os efeitos começam agora a fazer-se sentir de forma mais evidente.
Em 1995 registaram-se em Portugal cerca de 107 mil nascimentos.
Em 2005 esse número situava-se próximo dos 109 mil, mas desceu para 85,5 mil em 2015 e para 88 mil em 2025. Em apenas 30 anos, o país perdeu cerca de 19 mil nascimentos anuais (- 18%).
Perante esta realidade, é fundamental diversificar os públicos do ensino superior. Tal implica reforçar a participação de estudantes +35 anos, captar mais internacionais, promover o prosseguimento de estudos dos CTESP, bem como valorizar o ensino profissional como uma verdadeira via de acesso ao ensino superior, além da formação para as profissões.
Apesar dos desafios demográficos, estas estratégias permitiram que o ensino superior continuasse a crescer.
Nos últimos dez anos, o número de matriculados aumentou de, aproximadamente, 358,5 mil para 448 mil, atingindo em 2025/2026 o valor mais elevado da história do ensino superior em Portugal.
No entanto, a realidade do Politécnico de Leiria merece uma reflexão particular.
Segundo os dados oficiais da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, a instituição atingiu em 2022/2023 o maior número de estudantes da sua história: 13.047. Contudo, nos três anos letivos seguintes, os números diminuíram para 12.179, 12.231 e 12.144 estudantes, respetivamente.
Em apenas três anos, o Politécnico de Leiria perdeu 903 estudantes relativamente ao seu máximo histórico. Trata-se de uma evolução que contrasta com a tendência nacional.
Os estudantes constituem a principal massa crítica de qualquer instituição de ensino superior.
Por isso, esta evolução deve ser encarada com preocupação e analisada com rigor. A capacidade de atrair e reter estudantes será determinante para o futuro da instituição.
Será que a ULO inverte esta tendência estrutural de perda de estudantes, ou arrisca-se a nascer já em contraciclo com o futuro?
Texto escrito segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1990