Opinião
Procura-se. Para compromisso sério
Procura-se alguém que não fale demais e enrole discursos para dizer nada
Procura-se. Para compromisso sério, com a duração de, pelo menos, cinco anos.
Aventureiros, inconsequentes, demagogos, vazios de carácter, prepotentes, cata-ventos, autocráticos e narcisistas, evita-se o escrutínio.
O que efetivamente se procura é alguém capaz de uma relação de compromisso assente na segurança das suas convicções, integro, sem história passada com relações obscuras e de interesses ou mais-valias obtidas por jogos de influência pelas quais incautos terão saído prejudicados.
Alguém previsível e competente para que, face a desvarios de desgovernação do lar, saiba cumprir o seu papel de cuidador de todos – mas mesmo de todos! – sem considerar que possa haver tratamento desigual para filhos e enteados.
Alguém que saiba gerir o seu estatuto e papel de influência para sensatamente permitir que a malga de sopa é distribuída equitativamente.
Alguém confiável que proteja e seja o garante da pacificação doméstica e, sobretudo, que não ponha em perigo a sua família para agradar aos vizinhos do condomínio ou considere que aventuras belicistas e agressivas são a panaceia para todos os males.
Procura-se alguém que não fale demais e enrole discursos para dizer nada.
Antes que faça ouvir a sua voz com parcimónia, bom-senso, unificador e capaz de nos lembrar de que muito somos capazes quando unidos por uma causa comum, mas que também somos humanos, frágeis e vulneráveis.
Alguém que nos fale da realidade e de todas as hipóteses que nela existem.
Alguém que nos relembre que os fantasmas são tão-somente a representação dos nossos medos mais ancestrais.
Alguém que nos relembre que da diferença entre cada um floresce sempre uma nova ideia, após o confronto e esclarecimento do erro da ideia primeira.
Alguém que sempre e todos os dias respeite e faça cumprir a letra da Lei que nos une e que nos identifica como um todo.
Alguém que denuncie e nos proteja dos arremedos de uns poucos que, pelo ódio e sede de vingança, nos querem convencer que há uns que são melhores do que outros nesta casa comum.
No próximo domingo iremos escolher quem consideramos mais capacitado para este compromisso com todos nós.
Que o façamos em consciência e com olhos postos na geração herdeira da nossa decisão de um instante.