Opinião

Ouvir um filme

17 mai 2018 00:00

Só com o advento do sonoro o silêncio se torna importante num filme e a ausência de som atinge o seu extraordinário potencial dramático.

Dizemos sempre que vamos ver um filme e nunca que o vamos ouvir. Dever-se-á isto ao facto de, no início, o cinema ser apenas imagem?

Cedo a vontade de ouvir um filme levou a que se acompanhasse musicalmente cada sessão, mas esta época do cinema mudo (1894-1929) terá sido aquela em que as produções de cinema despontavam como verdadeiras torres de Babel, em que a voz e a pronúncia de um actor se que davam irrelevantes.

Esta ausência da voz levou ao estabelecimento do intertítulo (texto inserido no filme), que explicava os detalhes da narrativa.

No Japão, à época um país com elevados níveis de analfabetismo, surgiu um segundo elemento aural para lá do acompanhamento musical tradicional: o Benshi, narrador que lia e interpretava o texto do filme para a audiência.

E tal era a sua popularidade que o público ia ao cinema não somente pelo filme mas também para ver a actuação de um performer específico. Em 1929, surge o som no cinema e, progressivamente, a banda sonora cresce em complexidade.

Só com o advento do sonoro o silêncio se torna importante num filme e a au

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