Opinião

Olá Pedrógão, adeus Pedrógão, até daqui a 30 anos!

6 set 2018 00:00
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Sérgio Felizardo, Editor-in-Chief Vice Portugal

Aviso já, de antemão, que não faço ideia qual é a solução para isto, nem tão pouco se alguém está interessado numa solução, só sei que, pelo que me apercebi há umas semanas, a Praia do Pedrógão está parcialmente moribunda e que isso me deixou triste.

Grande parte dos Verões (e não só) da minha adolescência foi passada ali. Três meses de cada vez. Intensos, mais ou menos selvagens, definidores, inesquecíveis. Tal como acontece ainda hoje em grande parte das zonas balneares do País, o Pedrógão do Verão vivia do dia, mas também da noite e do que isso significava em termos de atractividade para várias gerações de jovens.

Podes ir acampar com os amigos, podes ir com os teus pais para uma casa, podes só ir ao fim-desemana depois do trabalho, mas ir às praias portuguesas no Verão não é só ir literalmente à praia.

É ir comer peixe, beber copos e viver a vida. No Pedrógão ainda se pode ir literalmente à praia, ainda se pode ir comer um peixe incrível, mas beber copos e viver a vida parece-me ser cada vez mais impossível.

O Pedrógão é uma praia urbanisticamente feia, convenhamos. Horrível até, mas durante anos a fio foi onde criei algumas das melhores memórias da minha vida. Eu e muitos leirienses. Ora, o que vi este ano, na habitual (e curta) visita de Agosto, foi zero jovens a criarem essas memórias. Diz-se por lá que falta, pelo menos, um sítio onde dançar.

Eu diria que sim, mas também que falta muito mais que isso e nenhuma dessas coisas é, certamente, um Carnaval de Verão. Olhar para o passado, neste caso, talvez ajudasse. Como avisei logo de início, não venho aqui oferecer soluções milagrosas, até porque a desolação de uma noite de meio de Agosto naquela marginal me retirou qualquer esperança de ver um renascimento da nossa praia para as novas gerações.

Normalmente sou a pessoa mais optimista do Planeta. Neste caso, o pessimismo é tal que não vejo nada de bom pela frente. A não ser que se considere que reservar a única praia do concelho exclusivamente para a terceira idade seja uma excelente medida. Nesse caso, estamos no melhor caminho possível.

Voltaremos todos durante três meses daqui a 30 anos!

*Editor-in-chief VICE PORTUGAL