Opinião

O “cancro que corrói o País”

26 abr 2018 00:00

“Exportamos cerca de quatro mil milhões de euros de mobiliário por ano e importamos 700 milhões de euros de carvalho de países como a França ou Alemanha. Não cabe na cabeça de ninguém.”

O assunto não era completamente desconhecido, mas o III Fórum da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, que juntou empresários, decisores, autarcas e cidadãos comuns em Alvaiázere, na sexta-feira da semana passada, serviu para reforçar a ideia: nas palavras de Eugénio Sequeira, antigo presidente da Liga para a Protecção da Natureza, o desordenamento territorial é o “cancro que corrói o País”.

A imagem é forte faz sentido que tenha de o ser. Cidades e áreas rurais jamais foram alvo de uma verdadeira e estruturada prática de ordenamento territorial que precaveja e prepare o País para as prioridades que a necessidade de um futuro sustentável, com recursos cada vez mais escassos, começa a mostrar.

O orador recordou que, apesar da febre de criar novas plantações de árvores, a escolha do fim é sempre a mesma: a indústria da celulose. “É a destruição desenfreada dos melhores solos” e a “ruptura do abastecimento alimentar”, num País que importa 70% do que come.

“Exportamos cerca de quatro mil milhões de euros de mobiliário por ano e importamos 700 milhões de euros de carvalho de países como a França ou Alemanha. Não cabe na cabeça de ninguém.”

Dá que pensar. Tal como noutras regiões de Portugal, por cá urge também tomar medidas práticas, agora que as discussões académicas e de planificação já foram feitas, para reduzir o despovoamento do interior, as plantações em monocultura extensiva de espécies vegetais perigosas para as populações, solos e recursos hídricos, promover o emparcelamento da propriedade privada, entre outras medidas no mundo rural, enquanto que, no contexto das cidades, é imperioso devolver os centros, históricos e não só, aos cidadãos, criando alternativas vivas e saudáveis aos vários shopping centres que vão aparecendo como cogumelos na paisagem.

Ainda nesta edição, os números relativos a ausências no emprego e devido a acidentes no posto de trabalho estão a diminuir em Portugal. Os valores poderiam ser ainda menores, se os colaboradores evitassem mais os comportamentos de risco e se houvesse maior investimento das empresas que, bastas vezes, cumprem apenas os chamados mínimos olímpicos, no que se trata de formação obrigatória e equipamentos de protecção.

Sempre que um trabalhador falta ao trabalho, os restantes são sobrecarregados com tarefas e as empresas registam prejuízos, factores que, na actualidade, não se justificam, até porque, entre os motivos mais comuns para o absentismo estão o stress, ansiedade e depressão causados pelas próprias tarefas a desempenhar em contexto laboral, bem como a falta de reconhecimento das entidades patronais do trabalho que o colaborador faz.

Perda de produtividade, horas-extra para os outros funcionários, aumento do custo de produção, perda de negócios e clientes insatisfeitos são, segundo o trabalho alargado que o JORNAL DE LEIRIA publica na edição desta semana, as consequências para as empresas que não sabem gerir os seus recursos humanos.

E, por vezes, é necessário tão pouco para melhorar substancialmente a qualidade do posto de trabalho, com benefícios para as empresas e sérias melhorias na produtividade.

 

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