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Opinião

Ninjas e Princesas: Ricardo Graça Voltar

16:55 - 16 Fevereiro 2017
Não há jantares grátis

Não há jantares grátis

Que cataplana de alegria que é, tudo fresco, tudo sorridente. É lindo e une a família. Digo-vos já: só há uma coisa que eu gosto ainda mais do que cozinhar, é não ter de cozinhar. Adoro.

Adoro cozinhar para os miúdos, chegar a casa e começar logo a misturar alimentos, sentir os nutrientes todos aos saltos na frigideira, tudo super-saudável, colorido e divertido. Eles todos contentes a ajudar na confecção de verdadeiras iguarias de amor e saúde.

- Princesa vai ali buscar aquelas bagas goji... Ohhh, caíram todas no chão, os gatos lamberam, tu pisaste, não há problema é mais uma oportunidade de nos divertirmos a apanhá-las com a vassourinha!!

- Ninja, faz aí um golpe espectacular que meta o esparguete a cozer... Ohhh, entornou-se a panela, queimaste-te, queimaste o gato, o chão parece o de um balneário no fim do torneio, sem  stress, é a altura ideal para aprendermos o que temos de fazer em caso de queimaduras ou cheias!!

Estamos tranquilos, o refogado está a agora a começar a refogar e ainda temos mais dois minutos para pôr o jantar na mesa antes que a mais pequena comece a entrar em curto-circuito por causa da larica.

Que cataplana de alegria que é, tudo fresco, tudo sorridente. É lindo e une a família. Digo-vos já: só há uma coisa que eu gosto ainda mais do que cozinhar, é não ter de cozinhar. Adoro.

Bem sei que não tem o mesmo glamour nem o mesmo sabor mas dá-me ainda mais prazer.  Não há coisa melhor do que chegar a casa depois do trabalho e saber que o jantar está controlado.

Podemos ir aos banhos, aos pijamas, aos jogos didácticos, à TV, ao tablet e a seguir ao frigorifico e, em paz, tirar de lá um tupperware  que a sogrinha nos deixou, colocar no micro-ondas e dois minutos depois sacar de lá a refeição. É felicidade instantânea.

Bem sei que não pode ser sempre assim... às vezes também devemos ir a casa dela jantar. O jackpot é alcançado quando vamos jantar a casa dos avós e ainda trazemos o belo do  tupperware  para o dia seguinte.

Nem consigo escrever isto sem que me corra uma lagrimazinha de alegria pela face.  Como é óbvio, não há bela sem senão, todo este tráfego de  tupperwares levanta a mais fracturante das questões familiares. Onde andam os meus tupperwares?

Sim, vocês sabem como são as mães, podemos levar-lhes as crias, destruir-lhes o carro, incendiar-lhes a cozinha mas não podemos ousar ficar com aquele pequeno tupperware de 1980 onde trouxemos a salsa picada no Natal passado.

Se alguma dessas relíquias de plástico se extraviar, recomendo culpar os miúdos de o terem metido na reciclagem sem vocês se aperceberem, mas atenção, usar mais do que três vezes essa desculpa, é queimar a caldeirada familiar onde marinamos harmoniosamente. 





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