Opinião

“Giramos” pouco

22 set 2016 00:00

A Alta Estremadura não é uma grande área metropolitana, é fácil de ver, mas, desde sempre, um dos maiores entraves ao seu crescimento foi a ausência de bons transportes públicos.

Chama-se Gira e é o exemplo do que poderia ser uma política integrada de transportes intermunicipais, num território onde as cidades e vilas se confundem numa identidade comum e onde os locais de trabalho, muitas vezes, são num concelho e o lar noutro, obrigando a viagens no incontornável automóvel próprio, dada a ausência de uma rede de transportes bem pensada.

A Batalha lançou o Gira, um serviço que vai assegurar os transportes dentro do concelho e que terá uma grande proximidade com o serviço prestado pelo Mobilis, de Leiria, prevendo- -se até uma interligação entre ambos, no futuro.

A Alta Estremadura não é uma grande área metropolitana, é fácil de ver, mas, desde sempre, um dos maiores entraves ao seu crescimento foi a ausência de bons transportes públicos. Já sabemos que quem tem carro pode ir a todo o lado, a qualquer hora, com o máximo de comodidade, mas está na hora de contabilizar o quanto nos custa, em termos económicos e ambientais, ter dois carros por agregado familiar que são usados para percorrer meia-dúzia de quilómetros por dia.

Está na hora de passarmos a ser mais inteligentes e privilegiar o transporte público e deixar de entulhar as estradas e as nossas cidades com carros. Precisamos de mais Giras e Mobilis interligados. O importante eixo económico de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós, Pombal e até Ourém-Fátima deveria colaborar para permitir interligações racionais onde fazem falta, ao mesmo tempo que se sensibiliza a população – naturalmente, a começar nas escolas – para a utilização inteligente de transportes públicos.

Durante anos, os sucessivos Governos beneficiaram a construção de vias rápidas de alcatrão para todo e qualquer lado, ao mesmo tempo que desactivavam e arrancavam linhas férreas.

Actualmente, o comboio é usado com sucesso nas grandes áreas metropolitanas, mas linhas como a do Oeste, que até é a segunda maior em termos de circulação de mercadorias, quase não tem transporte de passageiros. Caldas da Rainha e Leiria- Marinha poderiam estar a meros 20/30 minutos de distância, mas o tempo das viagens, quando as há, é o dobro.

E, para “ajudar”, durante anos a fio, o autocarro que, em Leiria, fazia a ligação ao centro da cidade, saía, inexplicavelmente, dez minutos antes da chegada do comboio. Ainda por cima, sabendo-se que a maioria dos passageiros pretendia viajar até Coimbra e Porto, o destino final das composições era a Figueira da Foz. Falouse em ramais de ligação e em muitos milhões de investimento, até que se percebeu que bastava mudar uma alavanca para a linha seguir para Coimbra.

Perderam-se anos. Se foi por estupidez ou ignorância, nunca o saberemos. Resumindo, ligar o Gira ao Mobilis é um passo certo na direcção certa, mas o caminho está apenas no começo.

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