Opinião

Fátima

5 mai 2017 00:00
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Margarida Varela

Não sou católica nem professo qualquer outra religião. Mas respeito quem tem uma visão diferente da vida.

A fé – ou a ausência dela – é uma questão do foro íntimo que só ao próprio diz respeito. Apesar disto, sempre tive curiosidade, do ponto de vista histórico e político, sobre o fenómeno de Fátima.

Cresci numa época em que imperava a trilogia Fátima, Futebol e Fado. Vivi o aproveitamento político feito pela ditadura das “aparições de Fátima”, o que aconteceu com a anuência da própria Igreja.

Aliás, recordo-me que, já após o 25 de Abril, visitei o Museu de Cera de onde saí estarrecida ao ver a figura sinistra de Salazar aí representada. Fui algumas vezes ao Santuário. Vi pessoas percorrer, de joelhos, o seu recinto, num estado de grande sofrimento.

Não conseguia compreender uma fé que exige tanta dor aos seus fiéis. Como nunca consegui aceitar que, em nome dessa fé, os crentes façam dádivas que vão enriquecer os cofres do Santuário.

Mas sei também que é sincera a devoção de muitos católicos que procuram a “Senhora de Fátima”. E respeito. Vem este texto a propósito de, no próximo dia 13 de Maio, o Papa Francisco se deslocar a Fátima, não como chefe de Estado mas como simples peregrino.

Como era de esperar, esta deslocação tem estado presente na comunicação social, tendo dado origem a numerosas artigos de opinião e a entrevistas, algumas delas com altos dignitários da Igreja.

Foram também publicados livros em que, de certo modo, a história de Fátima foi reescrita . Assim, o bispo–delegado do Conselho Pontifício da Cultura do Vaticano diz que é o momento de se falar “com linguagem exacta” sobre o que se passou há 100 anos na Cova da Iria: foram visões místicas, não aparições.

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*Advogada