Opinião

Elogio do tempo que passa

28 fev 2019 00:00

Quando somos miúdos, ser velho é ter mais de quarenta anos.

Hoje vou falar de mim. Por isso, leiam só esta primeira linha e acabem por aqui.

Tinha 5 ou 6 anos e o meu maior sonho de crescer era poder olhar sobre o balcão da loja da Srª Maria e do Sr. Agostinho, na Opeia.

Do lado de lá, oculto pela altura do balcão, estavam as guloseimas e alguns brinquedos!

Quando somos miúdos, ser velho é ter mais de quarenta anos. Era assim que víamos os nossos avós, professores e pais.

Os professores, então, têm essa experiência única de ver gerações inteiras passarem-lhes à frente, numa gestão de tempo difícil de assumir – os professores a adiantarem-se nos anos e os seus alunos cada vez mais novos, no alargamento inevitável daquilo a que se chama o “fosso geracional”.

Neste “tempo que passa”, diferente para mim ou para o outro, lembro-me como se fosse hoje e foi há quinze anos.

Tentava com os meus alunos da Batalha identificar alguém da vila que era suposto eu conhecer. “Mas que idade tem ele?” - perguntei.

Respondeu-me o Miguel - “Ó professor, ele já é velho, tem para aí uns 45 anos!”. Que era a minha idade então. Acho que ainda gracejei, chamando-lhe “meu malandro” e prometi-lhe uma reprovação só por me estar a chamar velho…

Depois, o “tempo passa” quando encontramos, por exemplo, ex-alunos do 8.º ano a serem nossos colegas, sem saberem bem como nos tratar e nós a enquadrá-los: “Eh pá, agora és meu colega, não me trates por professor!...”

O “tempo passa”, ainda, quando nos apercebemos que já não sabemos bem que música ouvem os nossos alunos, ou que filmes gostam, ou quando deixámos de saber que novas aplicações utilizam nos telemóveis ou no

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