Opinião

Despedidas

23 set 2017 00:00
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Clara Leão, professora de dança

Num rompante, o vento levanta as folhas, fálas rodopiar em todas as direcções, misturaas com a poeira de saibro que também levantou, e estatelaas no chão, aturdidas.

A pedir pessangas nesta brincadeira sem graça que as deixa saudosas do brilho trémulo do sol no verde que eram, do sopro quente que as amolecia durante o dia e da frescura com que eram borrifadas ao sereno, garantindo a eternidade da suspensão temporária da vida de todos os dias durante o verão.

Num rompante, o vento levanta a saia e deixa a pele das coxas sentir a quentura do sol, enquanto se vai arrepiando a pele dos braços e as sandálias não conseguem impedir o gelar dos pés.

Os cabelos enrodilham-se na boca e obrigam a fechar os olhos que não conseguem assim seguir o vôo raso da gaivota, a desaparecer atrás dos bancos vermelhos rodeados de cameleiras e de poeira dourada.

Sentados, de calções e casaco fechado, ele e ela olham alternadamente o mapa e a cidade em redondo que os cerca, e encontram por entre as árvores o caminho que procuram. Levantam-se depois e, rindo, fazem-se ao caminho às arrecuas, contra o vento.

 

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