Opinião

Da guerra

21 abr 2017 00:00
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Alexandra Azambuja, publicitária

Ouvi muitas vezes falar sobre a guerra, a segunda guerra mundial. Que depois dela se viveram tempos de distensão como nunca.

Que as pessoas tinham a certeza que o pior das suas vidas tinha sido ultrapassado. Que seria impossível alguma coisa tão atroz e sem sentido voltar a repetir-se.

Do eco longínquo da guerra, das mil variantes do sofrimento que provoca, uma em particular continua a ressoar em mim como assombrosa: a arbitrariedade. Aquela ausência de sentido que permite exercer o poder como apetecer a quem quer que o detenha. O Mal disseminado.

Assisto ao grande enlouquecimento generalizado do mundo como quem olha para uma televisão sem som: aquilo não faz o menor sentido mas é muito longe e decerto noutro mundo onde não habito.

Esperava toques de clarim, sirenes, gente em desenfreada correria com a remota possibilidade de sim, termos uma guerra à porta, mas não. Ninguém no fundo no fundo consegue imaginar tanques na rua onde todos os dias atravessamos a passadeira para ir comprar o pão.

E assim continuamos alegremente a encarar o distúrbio generalizado no mundo como mais um episódio que será sanado por mãos misteriosas, forças ocultas ou mercados accionistas.

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