Opinião

A ponta do iceberg

20 out 2016 00:00

“As lojas fecham e a cidade morre porque se deixou de comprar no comércio local, preferindo-se shoppings e a internet”.

Na semana que passou, no seguimento de uma notícia do JORNAL DE LEIRIA, as redes sociais encheram-se de comentários acerca da possibilidade de ocupação do edifício do antigo Paço Episcopal de Leiria (antiga loja da Zara) por um bazar de artigos chineses.

Polémicas com maior ou menor grau de racismo e laivos xenofóbicos aparte, a maior parte dos comentários na página de Facebook do JORNAL DE LEIRIA são de pessoas, leirienses que amam a sua cidade, e que lamentam que mais um espaço nobre da urbe fique devoluto, contribuindo para a lenta agonia so comércio local. Mas houve também quem tivesse feito análises mais profundas ao fenómeno.

Resumimo-las numa frase: “as lojas fecham e a cidade morre porque se deixou de comprar no comércio local, preferindo-se shoppings e a internet”. E é isto a ponta deste iceberg. Com a melhoria das condições de vida, que se tem vindo a registar desde a entrada de Portugal na então CEE, os portugueses acostumaram-se às compras em grandes espaços cobertos, enquanto no resto da Europa, a moda dos shoppings passou há muito e as pessoas usufruem das ruas e as cidades.

Quem já passou pelos mercados e comércio local de Londres, Paris e Bruxelas, sabe do que falamos. Verdade seja dita, é muito mais conveniente estacionar gratuitamente num local que reúne em poucos metros quadrados uma colecção de estabelecimentos onde se encontra quase tudo, de um simples alfinete às compras do mês.

Por outro lado, o comércio tradicional, que conta com muitos e válidos comerciantes, nunca se conseguiu adaptar à voragem e estratégias dos shoppings e continua a oferecer os mesmos produtos Não há inocentes nesta questão.

Somos todos culpados da morte lenta das nossas cidades e centros históricos. É certo que as regras do comércio tradicional têm de mudar – por exemplo, adaptar os horários de funcionamento das lojas à vida das restantes pessoas, seria um passo lógico e racional-, mas a mentalidade dos consumidores também tem de evoluir e deixar de estar ligada a apps e shoppings centers, passando a privilegiar o contacto com as lojas tradicionais, com as pessoas que fazem parte do tecido social e sociológico das nossas comunidades.

Para terminar, a Câmara de Leiria garantiu, em comunicado, no seguimento da notícia do JORNAL DE LEIRIA, que “tudo fará” para que antigo Paço Episcopal, tenha uma ocupação “compatível” com aquela “área nobre do centro da cidade”, aventando a possibilidade de ali instalar uma das promessas eternamente adiadas por todos os Executivos municipais: a Loja do Cidadão. A acontecer será uma utilização digna de um espaço que conta também com dois auditórios e zona de restauração.

Nesta edição, abordamos também uma experiência muito positiva com os reclusos da ex-prisão escola de Leiria. Naqueles terrenos, quem está privado da liberdade, trata de vinhas e hortas que já produziram mais de 100 toneladas de alimentos para o Banco Alimentar contra a Fome. É um exemplo único de solidariedade e de criação de um papel válido na sociedade para os reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovem.

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