Sociedade

Testemunhas afirmam que ex-vereador de Pedrógão Grande tinha funções técnicas

14 jan 2020 18:28

Realizou-se hoje a segunda sessão da instrução do processo da reconstrução das casas de Pedrógão Grande.

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A fase de instrução da suspeita de irregularidades na reconstrução das casas do incêndio de Pedrógão Grande decorreu em Leiria
Ricardo Graça

As duas testemunhas do arguido Bruno Gomes, acusado no processo de reconstrução de casas ardidas no incêndio de Pedrógão Grande, em 2017, afirmaram hoje ao Tribunal de Leiria que o ex-vereador tinha apenas funções técnicas.

Na segunda sessão da fase de instrução, o engenheiro António Silva, testemunha indicada por Bruno Gomes, afirmou que trabalhou cerca de 13 anos com o ex-vereador do Município de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

“O Bruno tinha funções técnicas ligadas às obras e ao PDM [Plano Director Municipal], mas nunca perdeu essas funções, mesmo quando foi vereador”, referiu, ao revelar que o cargo de técnico nunca foi substituído quando entrou para o executivo.

Segundo esta testemunha, quando se começaram a fazer os levantamentos das casas que tinham ficado danificadas ou destruídas no incêndio de junho de 2017 não se sabia que habitações seriam contempladas com o apoio do Estado. “Falava-se que eram habitações permanentes, mas nem se sabia bem o que isso queria dizer.”

Outra testemunha ouvida hoje no Tribunal de Leiria foi José Graça, ex-vereador e vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande, que também confirmou as funções “técnicas” que Bruno Gomes tinha, mesmo enquanto vereador.

“Ele fazia a parte de vereação e era técnico, porque a câmara nunca nomeou ninguém para o substituir”, disse, explicando que as funções após o incêndio foi de “receber os requerimentos das pessoas e verificar”.

À pergunta: “Quem se pronunciava sobre os fundos?” respondeu que “a última assinatura era do presidente.” José Graça é também uma das quatro testemunhas indicadas por Valdemar Alves, presidente da Câmara, também arguido neste processo. O ex-vereador afirmou que era o “senhor presidente que liderava o processo das casas”.

Questionado pelo advogado de Valdemar Alves, a testemunha acrescentou que o GORR e o fundo Revita funcionavam fora da Câmara. “Qual a diferença de tarefas? Não me recordo.”

No próximo dia 16, serão ouvidas as restantes três testemunhas indicadas por Valdemar Alves, que não vai prestar declarações na fase de instrução. Devido à falta de funcionamento dos microfones da sala – situação que já tinha ocorrido na segunda-feira - a juiz de instrução proferiu um despacho para que na próxima sessão a situação esteja reparada, para que a audiência se possa realizar sem constrangimentos.

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