Sociedade

Subsidiar o carvalho como se faz com o eucalipto poderia aumentar lucros da floresta

28 jul 2018 00:00

Um "fundo de futuros" para as espécies autóctones e a fileira de negócio do incêndio.

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Jacinto Silva Duro

Se queremos construir um território que fixe a população, que seja de futuro, que seja seguro, que produza riqueza, temos de plantar floresta autóctone, usar agricultura, com um plano por regiões, que revele o potencial de cada território, criar uma estrutura ecológica dentro desse plano e propor aos proprietários várias hipóteses de ocupação sustentável do território.

João Marques da Cruz é crítico da forma como o ser humano, ao longo do século XX, com a industrialização, mergulhou na ilusão de que não precisa da natureza.

“Acredita-se que a alimentação provém da América do Sul ou de outro sítio qualquer e que a floresta pode ser uma monocultura contínua, gerando-se, nas pessoas, um desprezo pelo território, que deu origem ao êxodo rural para as cidades. O que se passou no ano passado não foi pontual, tem acontecido todos os anos, mas foi mais visível devido à gravidade." 

A modelação do sistema natural tem de ser feita com conhecimento e inteligência, coisa que o arquitecto considera que tem faltado. "Temos monoculturas florestais contínuas. O eucalipto é uma espécie exótica, que se adaptou bem, mas baixa a produtividade do solo, diminui a biodiversidade e a água no solo e aumenta a erosão, para não falar do agudizar do problema dos incêndios."

A solução, explica, passa por uma floresta, sem monocultura, com espécies compatíveis com o clima e condições de solos, com equilíbrio na ocupação de solo com agricultura e floresta. "Para as empresas da fileira do papel e para os proprietários, isto é difícil de aceitar. Por isso, é preciso proporcionar a possibilidade de os proprietários terem opções de um ponto de vista económico."

Em 1850 não existia um eucalipto em Portugal, e, em 1940, o Estado Novo de Salazar apadrinhou o pinhal. Antes das grandes campanhas de plantação de pinhal e de acordo com um estudo florestal do final dos anos 30, a maioria do coberto vegetal era de quercus.

“Não havia monocultura de árvores, à excepção dos pinhais de Leiria e do Interior”. "O Pinhal de  

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