Opinião

Rudolf Höss e o plano sequência

16 mar 2018 00:00

Como não recordar, ainda, o final de Profissão: Repórter (1975), quando percebemos que Jack Nicholson acabou de ser morto?

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Na linguagem cinematográfica, um plano sequência é um plano que regista a acção de uma sequência inteira, sem cortes. Até ao aparecimento do vídeo estes planos estavam limitados – pelo menos no formato de 35mm - ao tempo de uma bobine com 1000 pés de película: 11 minutos.

Com o vídeo, no entanto, as experiências radicais tornaram-se possíveis e Aleksandr Sokurov, em A Arca Russa (2001), fez um plano sequência de 96 minutos, filmado numa única vez, em 33 salas do palácio Hermitage de São Petersburgo, com mais de 3000 actores e figurantes.

Em Irreversível (2002), a câmara de Gaspar Noé segue, durante 13 minutos, às profundezas de Sodoma, um Vincent Cassel sedento de vingança. Como não recordar, ainda, o final de Profissão: Repórter (1975), quando percebemos que Jack Nicholson acabou de ser morto?

A câmara de Antonioni sai do quarto do hotel para a rua, passando por entre as grades da janela, num travelling “impossível”, como se o espírito do repórter vogasse agora, sem constrangimentos físicos. E Béla Tarr, em O Cavalo de Turim (2011), dá-nos um longo plano inicial, de uma beleza impressionante.

Na História do Meu Cinemahá um destes planos que me deixa sempre subjugado. Em A Sede do Mal (1958), a câmara de Orson Welles abre em fade out para umas mãos que accionam uma bomba relógio e o plano só termina 3m10s depois, com a explosão.

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