DEPRESSÃO KRISTIN

RePlantar Leiria desafia população a colaborar e a apadrinhar uma árvore

21 mar 2026 14:47

Plano para renovar floresta assenta na diversidade de espécies

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Projecto apresentado no Dia Mundial da Árvore
Ricardo Graça

O programa RePlantar Leiria vai permitir qualquer pessoa ou empresa poder participar na reflorestação e até apadrinhar uma árvore ou uma área. A Câmara anunciou hoje, Dia Mundial da Árvore, que será lançada em breve uma plataforma, na qual será possível escolher uma árvore, acompanhar todo o processo de plantação e optar informação da espécie e da razão da escolha para determinado local.

“Estamos habituados a ter florestas de monocultura, maioritariamente assentes no eucalipto e no pinheiro. Teremos de ter uma floresta bastante mais diversa e assente mais em mosaicos agrícolas e florestais, que nos permitam ter um equilíbrio maior naquilo que é a gestão agrícola, floresta e a parte urbana”, afirma Luís Lopes, realçando a importância de criar um equilíbrio entre a gestão agrícola, florestal e urbana.

Segundo o vereador com o pelouro do Ambiente o novo plano de rearborização irá permitir “misturar espécies que crescem mais rápido ou que crescem mais lento”, como forma de criar “zonas de sombra mais rápido, para permitir que haja um controle dos matos e das infestantes e das invasoras”.

Um dos principais desafios lançados pela autarquia é envolver toda a comunidade, incluindo escolas e associações nas acções de replantação do concelho, no qual cerca de oito milhões de árvores foram derrubadas ou danificadas, durante a tempestade Kristin, no dia 28 de Janeiro.

De acordo com a Câmara de Leiria, 7.615 hectares terão sido afectados, num total de 28.066 ha do território de Leiria. Números que ultrapassam toda área ardida no concelho nos últimos anos, destaca Luís Lopes.

A replantação não será uniforme em todo o concelho, nem será executada de uma ponta à outra. O planeamento irá decidir onde, quando e o quê plantar em determinado período e solo, até porque cada espécie necessita de condições diferentes para se desenvolver.

Uma das preocupações é também a relação térmica no espaço urbano, uma vez que a ausência de árvores irá causar mais humidade, mais entrada de vento e menos sombras. “Vamos levar algum tempo até conseguir encontrar respostas artificiais para ter esta ventilação térmica e alcançar o mesmo conforto dentro do espaço urbano, agora com menos árvores”, anuncia.

Grande parte do território arboreo afectado está em terrenos privados, pelo que o município conta com a "vontade e o compromisso dos proprietários”.

O trabalho planeado passará por permitir proprietários intervirem dentro do programa da autarquia ou, caso não tenham condições, permitir que sejam os técnicos municipais a realizarem o trabalho proposto.

Além desta interajuda, Luís Lopes realça que será necessário financiamento do Estado, porque a autarquia não pode comprometer mais o orçamento dos munícipes, além de todo o investimento que já está a ser efectuado na recuperação de infra-estruturas, vias municipaios, escolas, monumentos, entre outros equipamentos danificados.

O arquitecto paisagista Paulo Farinha Marques, da Universidade do Porto, é um dos responsáveis pelo planeamento e reorganização do projecto. Ausente da aparesentação de hoje, na Villa Portela, o especialista deixou um vídeo, onde alerta para a demora na alteração da paisagem.

“As árvores crescem lentamente. As árvores têm o seu tempo, como as pessoas. Os bebés vão crescendo para indivíduos maiores. As árvores que plantamos são bebés, que vamos ter de tratar bem e fazê-las crescer. Mimá-las e acompanhá-las naquilo que são as suas fases mais difíceis”, aponta.

O arquitecto sublinhou que a rearborização irá dar “um sentido de esperança, de evolução e de progresso, todo ele alicerçado também na árvore”.“A floresta tem o ritmo próprio. Vamos ter de adequar ao tipo de solo, à capacidade de retenção de água e de regarmos. As árvores têm que se adaptar a um novo solo e a condições hídricas diferentes”, explica, adiantando que haverá muitas espécies que não irão sobreviver, tal como sucedeu com a replantação do Pinhal de Leiria, após o incêndio de 2017.